Cena de Frascos: Faltou execução. (Foto: Divulgação/CinePE).
Ecce Hommo: Violência para falar da violência. (Foto: Divulgação/Cine PE).
Ecce Hommo: Violência para falar da violência. (Foto: Divulgação/Cine PE).

Pouca maturidade, muito esboço
Curtas da Mostra Pernambuco e Mostra Brasil do Cine PE seguem decepcionando

Por Alexandre Figueirôa
De Olinda

Os dois curtas-metragens exibidos na noite de domingo no Cine PE – Frascos, pela Mostra Pernambuco e Ecce Homo, pela Mostra Brasil – levantam inevitavelmente a questão: será que a safra recente de filmes produzidos no Estado e pelo país afora está tão fraca assim? Os trabalhos apresentados não empolgaram a plateia e o filme pernambucano foi mais outro a nos fazer refletir como se expõe num festival internacional algo que ainda não apresenta maturidade para tal.

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Não queremos aqui tirar a empolgação dos jovens realizadores, mas o curta Frascos, da estreante Ariana Nuala é apenas um exercício, em fase de esboço, para o que se espera de uma obra fílmica. A história é tola – um rapaz distribui frascos com um líquido colorido que tem o poder de transformar as pessoas fazendo-as transcender o seu cotidiano – mas, até podia ter alguma graça se ela tivesse um roteiro bem desenvolvido, uma encenação correta e câmera e montagem condizentes com o tema trabalhado.

O carioca Ecce Homo, uma fábula sobre a violência do homem com os animais, dirigida por Clodoaldo Lino, é mais um filme a tocar na tecla do tratamento cruel que o ser humano dispensa aos seus companheiros de existência na Terra. Talvez a intenção do diretor tenha sido fazer um curta estilo rock punk, seco e direto, onde vemos um grupo de mascarados sequestrar e submeter a tortura um suposto dono de uma empresa que maltrata animais.

Cena de Frascos: Faltou execução. (Foto: Divulgação/CinePE).
Cena de Frascos: Faltou execução. (Foto: Divulgação/CinePE).

O filme é curto e boa parte das imagens são cenas reais captadas em criadouros e matadouros de porcos, coelhos, etc., dessas que circulam pela internet em campanhas de proteção aos animais. A causa é justa, mas o filme erra a mão ao propor a violência para combater a violência.

Nesta segunda-feira temos a exibição do último curta-metragem em competição pela Mostra Brasil, o pernambucano Tubarão, de Leo Tabosa, ganhador de prêmios em diversos festivais. Na terça já acontece a solenidade de premiação dos curtas. Vamos aguardar para ver o que os jurados das duas mostras vão nos dizer.

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