sagatio

HOMENAGEM JUSTA
Curta de Amaro Filho conta as histórias de um fazedor de filmes

Por Alexandre Figueirôa

A arte cinematográfica brasileira recebeu mais uma homenagem merecida. O chefe-eletricista paranaense radicado em Pernambuco João Sagatio é o tema do documentário Sagatio – Histórias de Cinema, de Amaro Filho, exibido na noite de terça (30) na mostra oficial de curtas do CinePE. Sagatio deu seus primeiros passos na Vera Cruz, nos anos 50 e foi um dos integrantes da equipe da LynxFilm, uma das mais importantes produtoras de filmes na década de 1970 no Brasil. Trabalhou com cineastas como Ugo Giorgetti e desde o início dos anos 1990 é o pai da luz de longas e curtas pernambucanos.

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Amaro optou por uma narrativa convencional para documentário biográfico o que não é nenhum demérito. Ela permite que o biografado seja visto de uma forma clara. No caso de Sagatio isto revela um homem simpático, dedicado ao seu ofício e cujo amor pelo cinema é visível. Ele trabalhou com o mesmo empenho com curtametragistas locais e com o ganhador da Palma de Ouro de Cannes em 1962 Anselmo Duarte. Por sinal uma das seqüências mais bonitas do filme é o momento em que ele revisita as locações de O Pagador de Promessas e descreve com minúcias os instantes das filmagens.

Desvelo de Clarissa Rebouças e Aluga-se, de Marcela Lordy completaram a programação. O filme de Clarissa Rebouças é uma ficção sobre Léo e Luzia um casal de uma cidade do interior que decide pegar a estrada, fugindo do lugar, para viver o seu amor em liberdade. O antigo namorado da moça, porém, a ameaça caso ela realize seu intento. Quando o casal sai da cidade numa moto ele persegue a dupla até alcançá-la e o desfecho anuncia-se trágico quando tanto Luzia quanto o ex-namorado ciumento descobrem que Léo é outra garota. O curta é um Meninos Não Choram sintetizado encenado no interior da Bahia e dramaticamente tem falhas.

alugase

Já o curta paulistano de Marcela Lordy tem ares de O Som ao Redor ao se debruçar com a transformação dos bairros residenciais de São Paulo em lavoura de espigões de concreto, fenômeno que no Recife só ganhou proporções trágicas nos últimos anos, mas que na capital paulistana é algo corriqueiro há décadas. Mas por Aluga-se vemos ser uma questão que ainda mexe com as pessoas. E a realizadora reflete sobre isto com humor. Um humor com traços de nostalgia ao focar uma mulher que anda nos bairros de São Paulo em procura de um lugar para viver, uma casa que preserve a comunicação com a rua e os moradores possam ir à praça. Na sua peregrinação ela encontra um cartunista que foi obrigado a vender sua casa para uma imobiliária. Os dois percebem juntos como a mudança da paisagem é uma fatalidade da qual não escaparão.

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