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PEGUE ESSE BUSÃO
Longa Rio Doce-CDU fica entre o documento e a contemplação em uma verdadeira ode ao Recife e Olinda

Por Fernando de Albuquerque
Da Revista O Grito!, no Recife

Exibido na quarta noite de exbições no Cine PE, o longa Rio Doce – CDU nos conta a história do famoso ônibus que cruza a cidade do Recife e de Olinda. Sempre lotado, o coletivo realiza viagens que duram, em média, duas horas entre o terminal de saída, em Rio Doce, e o ponto de retorno, no bairro da Cidade Universitária, na Várzea.

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Por dia um sem número de cidadãos (estratificados, em sua maioria por estudantes e trabalhadores) entram e saem do coletivo com uma única constatação: está sempre cheio. Dirigido por Adelina Pontual, pernamnbucana bem conhecida da cena cinematografica do Estado, o longa passeia pelas duas cidades (Recife e Olinda) elencando os principais pontos de sua paisagem urbana. São mercados, vendedores, mercearias, fiteiros, mães, pais, filhos e filhas cujo único ponto de ligação está na linha de trajeto.

Entre o documento e a contemplação é possível atestar no longa de Adelina uma verdadeira ode à cidade, sua urbanidade, sons, conexões e desconexões.

Os ângulos e tomadas escolhidos pela documentarista e sua equipe desafiam a física – ora são imagens coletadas por baixo do coletivo, ora são captações a partir da área externa, em enquadramentos criativos. O encantamento é quase que imediato quando Adelina permite que o expectador veja a cidade a partir do reflexo dela nas janelas escuras do Rio Doce-CDU. Uma visão até então bastante conhecida, mas ainda inexplorada pelo cidadão recifense.

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O destaque dos personagens está em sua própria vida ordinária. A senhora que comercializa roupas na Avenida Caxangá, na Caxangá; o fiteiro na Avenida Brasil, em Rio Doce; o vendedor de chás e ervas medicinais, em Casa Caiada; a vendedora de peixe na orla, no Carmo. Ou até mesmo o casal que se conheceu consertando sapato, ou as irmãs que durante toda a vida trabalharam comercializando insumos no Mercado da Encruzilhada.

De trajeto tão longo e por gastar tanto tempo para a conclusão do mesmo, o Rio Doce-CDU é o elo de ligação de uma cidade consigo mesma. De cidadãos ordinários com seus próprios pares. Sem escolhas. Sem julgamentos. Afinal, o ônibus está sempre lotado para todos.

RIO DOCE-CDU
De Adelina Pontual
[BRA, 2013 / Independente]
Documentário

Nota: 8,5

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A diretora Adelina Pontual, no Cine PE (Foto: Daniela Nader/Divulgação)

 

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