Felipe Cordeiro tocou músicas do seu novo disco pela primeira vez no Recife (Foto: Reorodução/Instagram).

tocou músicas do seu novo disco pela primeira vez no Recife (Foto: Reorodução/Instagram).

A lambada com farinha de Felipe Cordeiro
Cantor paraense leva caribe, eletrônica e guitarrada ao APR

Por Iara Lima
Do Recife

“Recife é uma das cidades nas quais eu mais gosto de tocar. É parecido com Belém em relação à música popular. O povo é libertário, não tem amarras, não é ingênuo e é feliz”. A sentença é do multifacetado Felipe Cordeiro, que concedeu entrevista à Revista O Grito! momentos antes antes de subir ao palco do Abril pro Rock na noite desta sexta-feira (25). Ele foi um dos destaques da apresentação que trouxe ainda nomes como , Trummer SSA e uma homenagem a Reginaldo Rossi.

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Esta foi a quarta vez que Felipe se apresentou em terras pernambucanas desde 2011 com seu estafe completo e a primeira vez que ele executou o repertório de seu novo disco, Se Apaixone Pela Loucura do Seu Amor, lançado no final de 2013. No palco, ele mescla o setlist do disco novo com o primeiro disco, Kitsch Pop Cult.

Felipe e o pai, Manoel, tocaram uma faixa ao lado de Tulipa Ruiz. (Foto: Marcos Hermes/Divulgação).

Felipe e o pai, Manoel, tocaram uma faixa ao lado de Tulipa Ruiz. (Foto: Marcos Hermes/Divulgação).

Da nova safra, ele alinhavou a apresentação com canções como “Problema seu” e “Tarja Preta”. Do primeiro disco, ele executou canções como “Legal e Ilegal”e “Lambada com Farinha”. Sem jamais negar as raízes caribenhas da Martinica, Guadalupe, Guiana Francesa e Colômbia que influenciam a guitarrada da Região, elegeu uma das canções do álbum Sonido Amazónico, dos peruanos Los Destellos para vitaminar o show. A reverência ao mestre Pinduca, por sua vez, foi marcada por “Sinhá Pureza”. Destaque para a nova roupagem conferida a ‘Marcianita’, que ganhou ares modernos e batidas eletrônicas.

Felipe e ainda participaram do show de Tulipa Ruiz. Eles subiram ao palco para tocar “Virou”. Em comum entre Tulipa e Felipe é que ambos compuseram com seus pais. Por isso, para essa ocasião quiseram compor uma música em família.

Alípio Martins, um ícone

“Vocês vão ter um tributo a Reginaldo Rossi, não é? Pois eu vou fazer o meu pra Alípio Martins”, sentenciou Felipe Cordeiro. O artista a quem ele se refere, falecido precocemente aos 53 anos, ainda na década de 90, é um verdadeiro patrimônio não só musical, mas afetivo dos paraenses. Alípio assina pérolas do cancioneiro que ultrapassaram as fronteiras do Pará com refrões como “Lá vai ele, com a cabeça enfeitada”, “Piranha é um peixe voraz” e “Onde andará você?”. Para homenageá-lo, Felipe elegeu “Eu quero gozar (a vida com você)”. Mais do que justificou sua declaração prévia: “O Alípio Martins é o meu conceito de Rock’n Roll”.

Destacamos a performance do pai de Felipe, seu Manoel Cordeiro, uma lenda viva da Guitarrada. Seu Manoel já participou em execução ou produzindo entre 800 e 1000 discos ao longo de sua carreira. Recentemente, ele esteve à frente de sua banda ‘Desumanos’, no Rec-Beat, da qual participam o próprio filho, Felipe, além de figuras como Kassim e Liminha. Além da Desumanos, Seu Manoel está com um disco no forno e prometemos voltas a esse assunto em outra reportagem.

O segue neste sábado (26) com o tradicional dia do metal, com shows de Obituary, Desalma, Mukeka di Rato e Chakal. Neste dia os portões abrem mais cedo, 18h.

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