CASSADAGA É AQUI
Conor Oberst faz show delicioso e quase particular com músicas do Bright Eyes e de sua carreira solo
Por Mariana Mandelli. Foto: Pedro Cupertino

CONOR OBERST | 17 de julho de 2008
Folk-se – Studio SP

Cassadaga, o último disco do Bright Eyes – principal projeto do cantor e compositor Conor Oberst – é, na verdade, o nome de uma comunidade de médiuns e espiritualistas da Flórida, EUA. Mas bastaram os poemas, o violão e a voz de Oberst para transformar um clube alternativo no começo da Rua Augusta, em meio a garotas de programas, saunas e motéis, em uma verdadeira sessão “folkespiritual”.

Para a satisfação da platéia indie que apareceu no Studio SP para conferir a performance de Oberst, das quinze canções que o cantor e sua Mystic Valley Band tocaram, onze foram do Bright Eyes, Apenas “Get-Well-Cards”, “Lenders in the Temple”, “Sausalito” e “Eagle on a Pole” (interpretada pela primeira vez ao vivo, segundo o próprio músico) são de seu disco solo, nomeado apenas como Conor Oberst e com lançamento previsto para agosto deste ano.

Acompanhado por mais dois músicos (um baterista e outro responsável pelos teclados e trompete), Oberst entoou suas canções de inspiração folk-indie-country e fez uma verdadeira viagem nos discos do Bright Eyes, interpretando hits de praticamente todos os trabalhos. Ele abriu e fechou o show com faixas de I’m Wide Awake, It’s Morning (2005), um dos álbums mais elogiados da banda. “We are Nowhere and It’s Now” e a melancólica “Lua” foram responsáveis, respectivamente, pelo início e fim da apresentação – que ainda contou com a fofíssima “First Day of My Life”, do mesmo disco.

De Cassadaga, Oberst mandou “Cleanse Song” e a bela “Four Winds”, provavelmente uma das melhores músicas de sua carreira. Mas também teve presente para os fãs mais saudosistas: “Falling Out Of Love At This Volume”, do debut A Collection of Songs Written and Recorded 1995–1997 (lançado em 1998); “Arienette”, de Fevers and Mirrors (2000) e “Hit the Switch”, de Digital Ash in a Digital Urn (2005), também marcaram presença.

Tímido, o cantor conversou pouco com a platéia durante a apresentação. O que não significa, de forma alguma, antipatia, já que Conor trocou algumas palavras com fãs grudados no palco, sorrindo e agradecendo a empolgação de seu pequeno público, que cantava algumas canções em alto e bom som. A excitação era visível especialmente nas músicas mais antigas, como “You Will. You? Will. You? Will. You? Will”, “Bowl of Oranges” e “Lover I Don’t Hate to Love”, de Lifted or The Story Is in the Soil, Keep Your Ear to the Ground (2002). Para quem esperava ouvir apenas canções inéditas, a noite foi uma surpresa e tanto: show intimista, pouca gente, lugar fechado, músicas lindas e um dos maiores poetas da música alternativa da atualidade como convidado ilustre. Uma festinha folk particular que vai ser difícil de esquecer.

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