Letrux No Ar. (Foto: Orlando Costa/Divulgação).

Cobertura No Ar Coquetel Molotov 2022: Que sucesso Letrux fez lá no Molotov

Com show intenso, homenagem a Lula e participação de Supla, o show "Letrux Aos Prantos" promoveu uma catarse no festival

Fotos: Orlando Costa/Divulgação.

Fenômeno pop que rodou o Brasil a partir de 2017 com o Letrux em Noite de Climão, álbum que levou aos quatro cantos do país composições intensas e arranjos eletrônicos e se reinventou em um novo trabalho, Letrux foi uma das grandes atrações do Coquetel Molotov, realizado neste final de semana na capital pernambucana. A 19ª edição do festival voltou ao campus Recife da Universidade Federal de Pernambuco, que foi sede do evento entre 2004 e 2013.

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Um dos nomes mais aguardados da noite, a banda carioca (formada pela percussionista Jéssica Zarpey, tecladista Arthur Braganti, guitarrista Natalia Carrera, baixista Thiago Rebello, tecladista Martha V e pelo baterista Lourenço Vasconcellos) subiu ao palco um pouco depois das 23h, sucedendo o baiano Giovani Cidreira

O segundo projeto de estúdio, Letrux Aos Prantos, lançado em 2020, serviu de companhia para muitos fãs, em meio ao distanciamento social causado pela pandemia. O trabalho foi um dos indicados à categoria de Melhor Álbum de Rock ou de Música Alternativa em Língua Portuguesa no Grammy Latino daquele ano. Diferente do primeiro, o álbum mais recente desacelera e procura mergulhar nos sentimentos. Essa turnê teve que ser adiada por conta da pandemia do novo Coronavírus. Já a turnê do ‘Climão’ durou três anos. Foram cinco shows apenas em Pernambuco, sendo o último no Festival de Inverno de Garanhuns de 2019.

“Se organizar direito, todo mundo chora”, cantou Letrux na música Déjà vu frenesi, abrindo a apresentação no Molotov. Ao longo da primeira canção, ela repetiu inúmeras vezes  que “viver é um frenesi”. E isso ela foi comprovando nas canções seguintes. O show destacou-se pelas performances cênicas e pela mescla de sucessos dos dois discos. Aliás, Letícia Novaes, vocalista e compositora da banda, estudou teatro, entretanto, começou a ser mais famosa pelo duo com Lucas Vasconcellos conhecido como Letuce.

O show Letrux Aos Prantos foi uma catarse, uma noite de celebração. A performance intensa de Letícia é capaz de criar uma atmosfera única, que já conquistou um público amplo, jovem, conectado e identificado com esses existencialismos sobre cotidiano e fossa amorosa. Mesmo tendo algumas mais lentas ou melancólicas até às canções mais animadas, todas as músicas foram envoltas de diversão para quem estava curtindo a apresentação. 

Ponto alto também para participação especial do músico paulistano Supla, que fez uma ótima dobradinha com Letrux no palco cantando sucessos como “Garota de Berlin”. O encontro inédito, um dos melhores momentos da apresentação, marcou ainda a estreia do papito, como é conhecido o cantor, na cidade. 

O pranto do disco e do show não é apenas ligado ao desgosto, mas também está relacionado ao chorar de rir. A apresentação foi um composto de canções que passam pela dance music, rock, disco, blues e composições inspiradas no cotidiano, com letras em português e inglês. Nos intervalos entre as canções, frases da artista arrancaram aplausos do público. “O Lula nem entrou lá e já tá fazendo. Imagina quando ele tomar posse?” referindo-se ao presidente eleito, que passará a ocupar o posto de presidente da República pela terceira vez na história a partir de janeiro de 2023. Além disso, a Letrux sempre fez questão de demonstrar seu apoio ao petista, seja cantando, seja nas redes sociais e nas ruas, denunciando as mazelas causadas pelo bolsonarismo em diversas áreas. 

As músicas do álbum mais recente e as versões do seu primeiro álbum como “Flerte Revival”, “Hypnotized” e “Que Estrago” entraram em uma ótima conformidade com o clima jovem e psicodélico do festival, provando que o disco Aos Prantos reinventou o estilo da artista carioca. 

Letrux está na minha lista de cantoras favoritas da nova safra da música brasileira. Desde 2018, a escuto e amo a sua voz grave, além de suas letras (nas músicas e também na literatura; recomendo que leiam o livro Tudo que já nadei: Ressaca, quebra-mar e marolinhas), que trazem passagens dramáticas, que nos levam da fossa ao gozo. Desde o Climão, a artista fortaleceu seu nome na cena independente, tocando em festivais pelo mundo e pelo país como Lollapalooza e Popload, dentre outros, levando sempre um público que curte a pegada do disco e que é tocada pelas letras sobre desencontros amorosos e tropeços da vida. 

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