Evento teve o maior público registrado desde as primeiras manifestações em 2012. (Foto: Josafá Santana/Foto: Rev.OGrito!).

Evento teve o maior público registrado desde as primeiras manifestações em 2012. (Foto: Josafá Santana/Foto: Rev.OGrito!).

Uma parte da população recifense teve um encontro com uma área muito bonita da cidade, escondida por muros e galpões no Cais José Estelita. O + 2, que aconteceu neste domingo a partir das 9h, reuniu cerca de 10 mil pessoas, segundo estimativas dos organizadores. Foram realizadas recitais de poesias, exposição de fotos, debates, feira de livros e shows de , Siba, Lucas dos Prazeres, e outras apresentações.

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A iconografia do OcupeEstelita

O evento é parte de um movimento conhecido como #OcupeEstelita, que é contra a construção de 12 torres de até 40 andares na área. Conhecido como Novo Recife, o projeto está sendo contestado na Justiça em cinco ações: uma ação civil pública do Ministério Público Estadual, uma ação civil pública federal e três ações populares. Desde o dia 21 de maio, um grupo de ativistas está acampado no local. Eles realizaram coleta seletiva de lixo, compostagem e desenvolvem diversas atividades ao longo do dia, como oficinas.

Foi o OcupeEstelita com a maior adesão de público até agora.

Esta foi a primeira vez que o OcupeEstelita aconteceu do lado de dentro dos galpões, o que revelou uma área até então desconhecida para a maioria das pessoas que foram até o local neste domingo. Uma linha férrea, ainda em atividade, foi ocupada por crianças, pessoas de diversas idades e animais de estimação. O Trem do Forró, que na última sexta (30) declarou apoio ao movimento, também estava no local.

As pessoas ocuparam os trens desativados, agora tomados por desenhos e adesivos do #ocupeestelita, para fazer fotos e vídeos. Próximos aos antigos tonéis de melaço, grupos organizavam feiras de comida, livros e até uma tribuna livre, onde pessoas subiam para declamar poesia ou lançar qualquer debate. Por ali também grafiteiros faziam desenhos em um muro alto em um espécie de painel coletivo.

Cerca de 30 barracas se encontram hoje dentro da área, onde os ativistas recebem mantimentos e doações.

Shows

Os shows aconteceram do lado de fora da área dos galpões e contaram com a organização do Som da Rural, que desde a manhã fazia discotecagens. A cantora Karina Buhr, que mora em São Paulo, veio para apoiar o evento. Além dela, diversos artistas manifestaram apoio ao #OcupeEstelita, como Otto, Vitor Araújo, Marcelo Jeneci, Johnny Hooker, Irandhir Santos, Leandra Leal, Ney Matogrosso, entre outros.

O show de Karina, que começou já à noite, reuniu muita gente na estreita rua ao lado dos galpões. A apresentação teve participação de Siba na guitarra. Ainda tocaram Junio Barreto com Lucas dos Prazeres, Erasto Vasconcelos, Cannibal, Lia de Itamaracá e Vitor Camarote (como atração surpresa). O músico Silvério Pessoa também esteve no local. Todos os shows tiveram apresentação de , agitador cultural e responsável pelo Som da Rural. O palco também foi usado por integrantes do movimento para fazer cobranças às autoridades sobre a situação, sobretudo o prefeito Geraldo Júlio.

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Reintegração de posse

O consórcio Novo Recife alega que possui todas as autorizações para realizar as demolições no local. A Justiça Federal de Pernambuco suspendeu as atividades na área até que o grupo apresenta as licenças de órgãos federais e estaduais, entre eles o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). No dia 29 de maio, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) determinou a reintegração de posse. Na decisão, o juiz substituto determina a retirada “com o apoio da força policial, se necessário”.

A Prefeitura do Recife divulgou na sexta (30) um comunicado em seu Facebook afirmando que irá realizar uma reunião na próxima terça (3) na sede da PCR com representantes de diversas esferas. Foram chamados o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, do Instituto dos Arquitetos do Brasil, da Ordem dos Advogados do Brasil, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, da Universidade Federal de Pernambuco, da Universidade Católica de Pernambuco, do “Movimento Ocupe Estelita”, e do “Movimento Observatório do Recife”. O Ministério Público não foi chamado, mesmo fazendo parte das discussões sobre a obra desde o início.

O consórcio Novo Recife divulgou uma nota oficial à imprensa neste domingo. Logo após nossa galeria de fotos do evento.

“O Projeto Novo Recife integra um novo eixo de desenvolvimento econômico e social para a cidade, que começa na bacia do Pina e vai até o centro histórico da cidade no Porto Digital. Olhando com a perspectiva de futuro, o empreendimento vai gerar novos espaços urbanos para a cidade, como a construção de um parque de 90 000 metros quadrados, o equivalente a área de 22 campos de futebol. Também serão criados empregos diretos e indiretos durante um período de mais de três anos e após a sua conclusão. Além disso, o Novo recife vai trazer permitir aos moradores e turistas que chegam á cidade ter melhor acesso a área histórica, em especial o Forte das Cinco Pontas e a Igreja da Matriz de São José, que será restaurada e reaberta à população.

As empresas que estão à frente do empreendimento sempre se mostraram receptivas a qualquer observação sobre o projeto. Argumentos sóbrios e estruturados nunca deixaram de ser considerados. Foi o que aconteceu quando a atual gestão do prefeito Geraldo Julio solicitou mudanças para beneficiar ainda mais os moradores da cidade. Dessa forma, o Novo Recife ampliou as ações mitigadoras, como a implantação do parque, ciclovia, pista de cooper, quadras poliesportivas, biblioteca pública e preservação e restauração de 28 galpões da antiga Rede Ferroviária.

Em parte deles será construído um Centro Cultural. Além disso, o Novo Recife vai possibilitar a integração do Forte das Cinco Pontas ao parque, pois será derrubado o viaduto das Cinco Pontas. Em seu lugar será construído um túnel. Todos esses custos serão bancados pela iniciativa privada, sem nenhum ônus para o poder público.

Como já foi ressaltado, o Novo Recife está aberto ao diálogo, mas não pode permitir que sejam feitos ataques de natureza pessoal contra seus executivos e qualquer pessoa na cidade que declare seu apoio ao projeto. Além disso, os críticos do projeto precisam entender a existência de uma ordem jurídica e legal que deve ser respeitada. A Justiça de Pernambuco já se posicionou favorável à reintegração de posse, aos autoridades entendem que o momento é de diálogo, os Novo Recife esta aberto a qualquer conversa madura sobre este tema.”

Veja mais fotos do Ocupe Estelita deste domingo:

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