Marca registrada do Recife, as esculturas do artista plástico Francisco Brennand dividiram espaço com sons de todos os ritmos nesse último sábado (22) durante o festival de música MECA, que aconteceu pela primeira vez na capital pernambucana. A oficina de cerâmica do artista, localizada no bairro da Várzea, recebeu nomes da cena musical alternativa nacional e local, como Letrux, Duda Beat e Mundo Livre S/A, além de DJs dos mais variados estilos e outras atrações.

O MECA nasceu há oito anos no Rio Grande do Sul e já passou por algumas capitais brasileiras, tendo sido esta a primeira vez no Nordeste. Além das atrações culturais, o festival contou com duas oficinas de drinks, dois debates e uma feirinha com 15 marcas locais.

O evento teve início às 15h, com discotecagem da festa Pop Briseiro e em seguida, a pernambucana Lala K (Festa Odara) foi quem comandou as picapes. Enquanto parte do público curtia a pista de dança, outros conferiam os dois talks da programação.

O primeiro, comandado por Pedro Melo (Phantom 5), Aslan Cabral (Coletivo Pangeia) e Ana Garcia (Coquetel Molotov), discutiu sobre a cena cultural da cidade e a “nova cara” do Recife Antigo. Já Raul (Pop Briseiro), Allana Marques (Golarrolê), Pedro Vasconcelos (Hypnos) e João Vitor (Coletivo Revérse) bateram um papo sobre a cena eletrônica emergente do Recife, citando exemplos de festas, instalações e performances voltadas ao estilo.

O público se dividiu entre dois palcos, o principal e um menorzinho, o Heineken Stage. Às 17h, os DJs abriram espaço para a primeira banda subir ao palco principal. Com o público ainda disperso e conhecendo o local, os meninos da Phalanx Formation começaram a animar a noite. Já com a casa mais cheia, às 18h, o cantor pernambucano Barro ocupou o palco da Heineken, fazendo o público dançar e cantar canções do Miocárdio e também algumas novidades do seu novo disco “Somos”.

Uma bad gostosa de se curtir

Às 19h, a pernambucana radicada no Rio de Janeiro, , subiu ao palco. Com um som que mistura pop, indie e brega, ela lançou seu primeiro álbum solo neste ano e já conquistou o público com uma sofrência gostosa de se ouvir. Ela era uma das atrações mais esperadas da noite e mesmo com letras tão pesadas, fez o público se animar e cantar todas as músicas do show.

“Eu vi vocês cantando tudo, então meu disco é todo um hit”, disse Duda surpresa com a participação intensa da plateia. Além do disco, a cantora ainda levou ao palco uma música inédita e uma nova versão de “Bixinho”, um dos maiores sucessos do álbum, que leva o mesmo nome da pernambucana. Duda ainda volta ao Recife em novembro para o No Ar Coquetel Molotov.

As apresentações seguiram para o Heineken Stage, dessa vez com a banda Dirimbó, que mescla ritmos paraenses a um sotaque pernambucano e fez todo mundo dançar. Às 21h, o tradicional Mundo Livre S/A subiu ao palco. Entre gritos de Lula Livre, a banda envolveu o público trazendo clássicos como “Bolo de Ameixa”, “Meu Esquema”, entre outros. De volta ao palco da Heineken, o pessoal do Madimboo, banda formada por músicos de Johnny Hooker, fizeram o público dançar bastante com músicas animadas e dançantes.

Duda Beat e cantam juntas no MECA. (Helena Yoshioka/Divulgação).

MECA em Noite de Climão

A atração mais esperada da noite com toda certeza era a cantora carioca Letrux, que trouxe novamente ao Recife o seu trabalho mais recente, Letrux em Noite de Climão. Antes mesmo do show começar, muitos estavam sentados em frente ao palco principal aguardando a entrada da cantora, um dos principais nomes do pop alternativo atual. Performática como sempre, ela levou o público à loucura quando subiu ao palco ao som de “Vai Render”.

O climão ficou por conta do show dançante, que foi acompanhado pelo público faixa a faixa. As manifestações políticas, também apoiadas pela plateia, não ficaram de fora. Um dos destaques da apresentação foi a música “Que Estrago”, em que Duda Beat foi convidada para cantarem juntas. Ovacionada, ao final do show, a cantora concluiu que aquela havia sido a melhor apresentação na capital pernambucana.

O festival seguiu até o amanhecer com discotecagem do Windy City Classics, seguido das festas recifenses Maledita, Batekoo e Sem Loção.

Um dos poucos pontos negativos do festival foi a alimentação, que ficou por conta de apenas dois food trucks, o que acabou ocasionando filas imensas, assim como as do caixa. Além disso, muitos também tiveram dificuldades na volta para casa, já que praticamente nenhum carro conseguia acessar o local. Fora esses detalhes, o primeiro MECA Brennand foi uma noite deliciosa para marcar esse novo momento de shows e festivais no Recife.

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