Cosmo Grão lança segundo disco um ano após adiamento causado pela pandemia

Cosmo Grão e o Reflexo Do Que Não Se Vê, a obra soa como um breve manifesto sobre as tensões sociais e políticas do país

Foto: Gio Simões.

Quase um ano após o seu adiamento de estreia, por conta da pandemia, os recifenses da banda de rock instrumental Cosmo Grão lançam o seu mais novo álbum. Intitulado Cosmo Grão e o Reflexo Do Que Não Se Vê, a obra soa como um breve manifesto sobre as tensões sociais e políticas do país.

Primeiro trabalho como um trio e o segundo na discografia da banda, o álbum contém 10 faixas inéditas que, se por um lado reafirmam a faceta stoner/noise/punk que se fez marca registrada da banda nos últimos anos, por outro revelam uma nova dose de misturas e experimentações sonoras, com influências que passam pelo rock progressivo, post rock e shoegaze.

“O engraçado ou trágico, na verdade, é ver que vários aspectos da realidade em que nos baseamos para compor a temática desse disco ainda se fazem tão presentes depois de tudo que passamos nesse período de pandemia. O negacionismo da ciência e da realidade, as fake news, a intransigência, a falta de empatia pelo outro, a empáfia da certeza, e a hipocrisia, continuaram e continuam fazendo parte do comportamento de muitas pessoas nesse tempo. Daí surgiu o “O reflexo do que não se vê”. Da incapacidade das pessoas por conveniência ou manipulação, enxergarem suas hipocrisias e seus erros”, comenta Thiago Menezes, guitarrista da banda.

O novo trabalho do grupo simboliza uma crítica ao fato de que parece que realmente estamos vivendo num período dominado pela pós-verdade, onde muitas pessoas parecem não acreditar mais na realidade factual das coisas, e sim em uma comunhão de convicções, opiniões e crenças pessoais distópicas da realidade. O álbum traz um apelo à reflexão do olhar para si”, completa o baixista do grupo, Rafael Gadelha.

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