Manuel Zelaya (Foto: Divulgação)

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Crise em Honduras evidencia a cobertura independente e traz novos significados para o uso das redes sociais como veículo de comunicação

É cada vez mais difícil ficar impassível aos acontecimentos do mundo político. O irriquieto mundo da web 2.0 produz conteúdo – de um simples comentário a uma reportagem in loco – na velocidade de um tweet.

Desde que explodiu a crise em Honduras, com o golpe de Estado perpretado pelos militares do país e o exílio do presidente Manuel Zelaya, as redes sociais e a blogosfera iniciaram uma intensa cobertura. Aumentaram também as charges, ilustrações e vídeos políticos postados a cada minuto, bem como o vazamento de fotos raras do presidente, como a que abre esta matéria.

O site norte-americano The Hunffigton Post, conhecido por sua cobertura independente começou desde o início da crise a postar vídeos do Youtube enviados por leitores. Em um deles, filmados da janela de um prédio, manifestantes são agredidos pela força policial local. Mesmo usando como fonte as tradicionais agências de notícias, o site, um dos mais acessados nos EUA, privilegiou a exclusividade que essas imagens possuem.

Benedicte Desrus, fotógrafa independente utiliza o Flickr para postar fotos dos conflitos em Tegucigalpa, capital de Honduras. Ela exibe a galeria de fotos em seu perfil, mas utiliza o serviço também para comercializar as imagens para sites e agências de notícias. Baseada na Cidade do México, ela é especializada em coberturas de cunho social e político. A Revista O Grito! entrou em contato através do email disponibilizado por ela, mas não teve retorno até o fechamento da edição. Para ver sua cobertura, aqui tem mais imagens.

Me gustan las armas: começaram a vazar fotos e charges sobre Manuel ZelayaUma rápida busca pela crise em Honduras no Flickr revela mais fotos, sob um olhar muitas vezes negligenciado, como os protestos da população à rede de TV americana CNN (foto acima). Outros fotógrafos, ligados a agências menores ou mesmo independentes também estão postando suas fotos em blog e Flickr.

Para os que seguem a crise pelo Twitter, a tag #honduran mostra em tempo real cenas e fatos no País. Algumas cenas, postadas no serviço de fotos TwitPic causam consternação, e por vezes, não se rogam de mostrar sangue ou qualquer outro elemento que seria censurado em muitos veículos. No dia 25, dia em que explodiu a crise no País, o termo não chegou a entrar nos Trending Topics, que são os assuntos mais comentados, pois foi ofuscado pela morte de Michael Jackson.

Entre os blogs, quem está realizando uma cobertura completa do assunto no Brasil – e por ‘completa’ nesses tempos atuais, entenda como ‘hiperlinkada’ – é Pedro Doria, autor do blog de mesmo nome, um dos primeiros do Brasil a utilizar a blogosfera como ferramenta profissional de trabalho. A cobertura oficial continua nos jornais e sites especializados em política, mas ninguém que acompanha assuntos como Honduras se desconecta e fica impassível.

A Revista O Grito! separou algumas imagens retiradas do Flickr-manifesto contra a volta do presidente Zelaya.

Editor
  1. Golpe consumado

    O golpe de Estado em Honduras pelo menos ajudou a sepultar a constrangedora campanha publicitária da “Gloriosa” iraniana. Sintomática e previsivelmente, os inimigos ocidentais de Ahmadinejad mostram-se cautelosos em relação à democracia hondurenha. Nem sempre a mitologia libertária serve a todos os interesses em jogo.
    Resta pouco a acrescentar às origens e aos desdobramentos da deposição de Manuel Zelaya. Trata-se de uma reedição bem-sucedida do levante contra Hugo Chávez, de 2002, na Venezuela: imprensa, partidos políticos e associações empresariais unidos no levante autoritário, oscilações determinantes das Forças Armadas, letargia de grande parte da sociedade e algum belicismo das minorias atuantes.
    Golpe de feitio tradicional, portanto, e também no discurso pseudo-legalista dos revoltosos. Sempre há perigos a combater, um interesse nacional a salvaguardar. Os comunistas de nosso 1964 viraram os atuais vilões do Eixo do Mal – substituídos, para o folclore tropical, pelo coronel venezuelano. E novamente a defesa da “democracia” serve como justificativa para destruí-la. O apoio popular legitima o golpe, não a mudança constitucional proposta por um presidente eleito. Governantes podem ser depostos, mas nunca reeleitos, pelo clamor das ruas.
    Um aspecto incômodo da cobertura jornalística é a simpatia concedida aos silêncios (omissões?) de Barack Obama. As ambigüidades do episódio hondurenho sugerem cautela. Não há razões para acreditar que o governo dos EUA deixou de apoiar, direta ou indiretamente, sabotagens contra adversários. A proximidade dos golpistas com antigos funcionários da Casa Branca deixa pouco espaço para dúvidas.
    Acusações inócuas e sanções paliativas alimentarão o antiamericanismo da população hondurenha, fortalecendo a posição do governo provisório e mantendo o chavista Zelaya afastado até as eleições de novembro. Eis a saída cômoda (e irrevogável) para os lados mais fortes envolvidos.

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