Crítica: A Outra Banda da Lua busca novos olhares regionalistas no disco de estreia
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A Outra Banda da Lua se colocou um desafio enorme no disco de estreia: dar liga a uma mistura de ritmos ao mesmo tempo em que busca uma estética própria. O trabalho homônimo deste grupo mineiro une pop, regionalismo sertanejo, rock e até mesmo elementos indo-africanos. O resultado não soa forçado, ao contrário, traz um frescor interessante e mostra a busca autêntica por inovação presente hoje na nova cena independente brasileira.

Formada por Marina Sena (uma das integrantes do Rosa Neon), Matheus Bragança (baixo e voz), Edson Lima (violão, guitarra e backing vocal), Mateus Sizílio (bateria) e André Oliva (guitarra e percussão), A Outra Banda da Lua olha para as suas referências com interesse, mas buscam o tempo todo por novas harmonias. Músicas como “Na Roça” tem muito do rock setentista, mas é também moderno na interpretação e arranjos. Outro ponto alto do disco é “Cavalaria”, faixa que traduz bem o clima do álbum e que vai crescendo aos poucos com seu instrumental cheio de camadas. Já “Lua”, com sua batida lenta, traz uma proposta imersiva calcada na psicodelia.

O disco foi produzido por Rafael Carneiro e consegue ser um bom indicativo do potencial criativo da banda. É interessante ver como as novas gerações estão trabalhando estéticas regionalistas com diferentes olhares, em busca de novos significados.

A OUTRA BANDA DA LUA
A Outra Banda da Lua
[Under Discos, 2020]
Produção de Rafael Carneiro

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