Crítica: “Catarina, a Menina Chamada Passarinha” transporta vivência adolescente para a Idade Média

Em tom bastante irreverente, o longa levanta questionamentos sobre papéis de gênero, porém o recorte histórico figura como mero detalhe

(Foto: Divulgação).
Crítica: “Catarina, a Menina Chamada Passarinha” transporta vivência adolescente para a Idade Média
2.5

Catarina, a Menina Chamada Passarinha
Lena Dunham
Catherine Called Birdy, EUA/Reino Unido, 2022, 1h48, 12 anos
Com Bella Ramsey, Andrew Scott, Billie Piper
Em exibição no Prime Video

Ambientado na Inglaterra medieval, Catherine Called Birdy conta a história de Lady Catherine (Bella Ramsey), conhecida como Birdy (ou Passarinha, na tradução para o português), uma jovem de 14 anos cuja vida é virada de cabeça para baixo ao ser forçada, pelo seu próprio pai (Andrew Scott), a se casar. Determinada a espantar todos os seus pretendentes, a protagonista inicia paralelamente uma jornada de autodescoberta ao atravessar o redemoinho que é a adolescência. Dirigido por Lena Dunham, o longa-metragem é uma adaptação do livro homônimo da escritora Karen Cushman, publicado em 1994.

Com bastante irreverência, sobretudo centrada na personalidade de Birdy, o filme transita por questões até hoje tabus como primeira menstruação, descoberta da sexualidade, maternidade compulsória e papéis de gênero, sem perder, porém, a sobriedade que os temas exigem. Dessa forma, apesar de voltar-se em sua essência para o público infantojuvenil, a trama se consolida também como um filme para toda a família.

Ainda que a premissa a partir da qual a personagem é construída não seja em nada inédita – a menina travessa e aventureira, que, vinda de berço nobre, entra em rota de colisão com os padrões que lhe são impostos –, o filme traz como grande diferencial o seu recorte histórico: transportar essa vivência para a Idade Média. Afinal, muitas meninas adolescentes existiram naquela época e certamente atravessaram os dilemas característicos dessa fase da vida.

No entanto, o que seria um diferencial parece ficar apagado na trama. É que o filme acaba pecando pelo excesso ao tentar conferir ares de contemporaneidade à narrativa. Ainda que este seja um recurso legítimo ao buscar aproximar os personagens do público, no caso de Catherine Called Birdy, porém, nada acrescenta, nem mesmo dá fôlego à história, o que em muitos momentos fica a cargo da performance carismática e enérgica de Bella Ramsey e das brilhantes atuações de Andrew Scott e Billie Piper.

https://www.youtube.com/watch?v=kU29um1CE7k
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