Longa é bem produzido, mas falha em reproduzir os velhos clichês das narrativas do "sick teen". (Divulgação).

Crítica: Depois do Universo é mais um drama raso de adolescentes com doença terminal

Estrelado por Giulia Be e Henry Zaga, novo drama brasileiro da Netflix reproduz estereótipos clichês em personagens

Crítica: Depois do Universo é mais um drama raso de adolescentes com doença terminal
1.5

Depois do Universo
Diego Freitas
BRA, 2022, 2h06. Distribuição: Netflix
Com Giulia Be e Henry Zaga

Depois do Universo, novo drama dirigido por Diego Freitas para a Netflix, deu o que falar nas redes sociais. Parte deste destaque é graças à cantora Giulia Be, que faz sua estreia como atriz dando vida à protagonista Nina, uma pianista que sofre com o lúpus, uma doença autoimune. Dividindo o protagonismo está Henry Zaga (Novos Mutantes), que interpreta o médico residente Gabriel, que aos poucos se envolve com a paciente.

O filme nos mostra o envolvimento do casal em paralelo ao desejo de Nina de voltar a tocar piano e à necessidade de um novo rim. Gabriel, como todo bom mocinho que se preze, vai incentivar a amada a conseguir alcançar seus objetivos e a cada vez mais se vê mais envolvido romanticamente com Nina, o que pode pôr em risco a sua carreira profissional.

Logo no início, vemos o contraste na vida dos personagens: Gabriel é um médico otimista fazendo sua carreira no hospital dirigido pelo pai, e Nina é uma paciente que vive com desesperança e medo sobre o futuro. Aos poucos, o casal se aproxima e, a partir disto, surge o romance com suas vidas particulares com plano de fundo. Mesmo com a química inegável dos atores, essa parceria em tela não é o suficiente para sustentar a atenção do telespectador, porque, em algum momento do filme se torna arrastado, e faz toda a experiência de assisti-lo um pouco entediante.

Ao decorrer do filme, somos apresentados também à delicada relação familiar de Gabriel com o pai que é diretor do hospital, além de seus amigos de trabalho, como o melhor amigo do médico, que serve como alívio cômico em alguns momentos. Alguns personagens são estereotipados, como a amiga de hemodiálise de Nina, e só estão ali para reafirmar o óbvio: o casal tem que ficar juntos.

Os elementos do clichê dramático e romântico são muito presentes no longa, não inovando muito no roteiro. Os personagens parecem reproduzir os mesmos papéis de outros personagens de filmes de romance trágicos como A Culpa é das Estrelas e A Cinco Passos de Você, mas, mesmo com esses detalhes, ainda tem o seu significado e singularidade pela história da pianista.

Portanto, a única coisa que realmente desperta interesse em Depois do Universo é a entrada de Giulia Be ao ramo de atuação. É realmente bom ver a desenvoltura dela em seu primeiro papel, impressionando ainda mais como protagonista. O filme, apesar de ser como qualquer outro filme de “sick teen” que você já tenha assistido, ainda vale ter o seu play para que você confira a história.

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