3.5

A decisão em dar início a um trabalho solo após anos de entrega a uma banda é sempre acompanhada de muita expectativa. Seja por parte do público ou mesmo do artista, imaginar os percursos que serão traçados nessa jornada é esbarrar em questões sobre a autenticidade e originalidade dentro e fora do estúdio. O multi-instrumentista Aaron Frazer deve ter encarado esses questionamentos ao dar vida ao seu primeiro álbum de inéditas, Introducing…, obra que marca sua independência artística e a repaginação de suas referências sonoras.  

Um dos nomes por trás dos discos já apresentados pela sua banda, a Durand Jones & The Indications, Frazer sempre recorreu ao repertório do soul e funk dos anos 1960 para construir obras completamente nostálgicas e que facilmente remetem o ouvinte à excelência da produção dessa época. Em Introducing…, não poderia ser diferente. Contudo, ainda que fortemente ligado a década, o norte-americano soube reutilizar essas referências para lapidar um trabalho que vai além de uma mera extensão do que já foi apresentado em sua carreira. 

Desde os segundos iniciais do disco, Frazer não se poupe em revelar a opulência instrumental presente no trabalho. Metais, violinos, guitarra, teclado e demais instrumentos são executados de maneira completamente harmônica, fluída e realçados pelos vocais adocicados de Aaron. Proposta explorada durante toda audição do álbum, mas que busca em outros elementos e gêneros componentes necessários para não cair em momentos apáticos.

Munindo-se desse recurso, o norte-americano preenche o soul retrô de Introducing… com a climática percussão do bolero em “Have Mercy”, com a explosão rítmica e execução acelerada em “Over You” e até mergulha na música gospel em “Leanin’ On Your Everlasting Love”. Exercício que é conduzido de forma gradativa, em que Frazer possibilita instantes para que o ouvinte possa apreciar cada detalhe de forma minuciosa.

Tal esmero se reflete no direcionamento dado aos arranjos das canções. Os instrumentos são executados de maneira democrática, sem excesso ou sobreposições, e vão ganhando espaço de forma dosada. Ainda que haja momentos de destaque para as linhas do baixo e para os riffs da guitarra, Frazer se mantém numa atmosfera amena e de completa leveza. 

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Além disso, Introducing… consegue reforçar sua sonoridade descontraída com os versos pegajosos das canções. Entregue a um lirismo romântico quase juvenil, faixas com “You Don’t Wanna Be My Baby”, que abre o disco, facilmente arrebatam o ouvinte logo na primeira audição. Esse também é o caso da ensolarada “Lover Girl” e de “Girl On The Phone”. São canções que assumem uma inclinação com a música pop, sejam nos versos ou nos arranjos, e permitem um diálogo acessível com o público.    

Mais enxuto se comparado aos registros anteriores, Aaron Frazer conseguiu trabalhar as múltiplas referências de seu repertório de modo contido. O disco de estreia explícita a autenticidade do artista, que se mostra totalmente dominante do som produzido, ainda que em alguns momentos desse registro se deixa levar por sua própria zona de conforto. Mas assim como sugere o título do disco, Frazer só está no início desse processo de explorar a si mesmo como solista. 

Aaron Frazer
Introduction…
[Dead Oceans/Easy Eye Sound, 2021]
Produtor: Dan Auerbach 

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