Foto: Divulgação.
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Sem arriscar, Alvvays faz indie-pop irresistível em disco de estreia

Diversas bandas surgem todos os anos dispostas a imprimir um estilo e personalidade originais o suficiente para alcançar a superfície da relevância no pop, o que vem se tornando algo bastante difícil, excruciante até, cada ano que passa. Quinteto de Toronto, no Canadá, o Alvvays pareceu estar ciente disso no seu álbum de estreia homônimo. Como quem tem um único disparo em uma competição eles lançaram um trabalho que soa como uma coletânea de hits.

O indie-pop do grupo é repleto de melodias confortáveis e letras inteligentes, mas nada complexas, como se não quisessem incomodar o ouvinte em nenhum momento. Para isso, o grupo contou com uma estratégia bem interessante: vamos experimentar pouco, mas manter a qualidade da execução e a originalidade do arranjo no máximo.

Novamente usando a alegoria da competição, é como se conseguissem empreender um belo e difícil movimento da melhor maneira possível, mas sem nada disruptivo que pudesse chocar os jurados (no caso, o público). O resultado é que o trabalho todo pede repetidas audições. Formado por Molly Rankin (vocais), Kerri MacLellan (teclado), Alec O’Hanley (guitarra), Brian Murphy (baixo) e Phil MacIsaac (bateria), esses canadenses se conheceram ainda adolescentes, no ensino médio.

O som deles tem uma roupagem nostálgica que lembra grupos como o Camera Obscura e Peter, Bjorn & John com um leve diferencial de contarem com uma ingenuidade que acabou contando como ponto positivo. Há tantos bons momentos no som do grupo que é difícil escolher uma faixa mais representativa. “Adult Diversion” serve como boa porta de entrada e não por acaso abre o disco. Já “Party Police” mostra que o grupo se dá bem também na interpretação das músicas.

Apesar do intuito de soar como a trilha sonora inofensiva do verão, o Alvvays mostra que tem potencial para muito mais. [Paulo Floro]

LPjacket-finalALVVAYS
Alvvays
[Polyvinyl, 2014]

Nota: 8,0

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