Foto: Divulgação/Via Glaad.
Foto: Divulgação/Via Glaad.

A DIVA EXPLODIU
Em novo disco, rapper “queen” Big Freedia quer conquistar o mainstream com seu ritmo nervoso e rebolativo

Por Paulo Floro

O rapper Big Freedia vive o auge de sua carreira. Em seu quarto disco e o primeiro por uma grande gravadora, ele conseguiu emergir para o mainstream a subcultura da “bounce music”, originário de Nova Orleans, nos EUA. Trata-se de uma mistura de house e hip hop que tem um ritmo insano, com vocais e batidas baseadas na repetição. É algo impactante de se assistir e quase irresistível de se ouvir.

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Just Be Free funciona como um disco-manifesto de Freedia, que já superou o artifício de chamar atenção como uma voz gay no meio do hip hop (o que também é politicamente incrível, há de se admitir). Agora, ele se vende como um artista inovador, estética e culturalmente. Forçando as barreiras de gênero, se apresenta como uma “queen”, com roupas femininas e cabelos longos naturais. Sua maquiagem e produção não fica atrás de nenhuma participante de RuPaul’s Drag Race. RuPaul, mais influente drag queen atualmente, aliás, é fã de Big Freedia e já o chamou para cantar em dois singles.

Um tanto assustador e imponente, mas também glamouroso, Big Freedia tem muito das drag queens, apesar de dizer que é um homem com roupas de mulher e não um sujeito transgênero de qualquer tipo. “Me chamem de ela ou ele que atendo”, diz.

O álbum de Freedia parece funcionar como objeto de celebração coletiva. As faixas tem uma produção rebuscada, exagerada, que convidam a uma explosão eufórica, quase nervosa. Não é um disco para sair por aí com headphones. Bem, pelo menos não é a vibe que o rapper quer passar. Qualquer passeio por vídeos no YouTube de Freedia dão uma ligeira ideia do que é um show do bounce em clubes onde ele se apresenta. Servem como um tutorial rebolativo caso as próprias músicas ainda não tenham passado essa ideia.

É fácil identificar a subcultura do bounce dentro de um contexto dos sons de periferia que forçam um atrito com o mainstream, provocando influências em uma via de mão dupla. Foi assim com o brega no Recife, o funk no Rio de Janeiro, entre outros exemplos. Big Freedia é uma cria ainda não amansada desse gênero que começa a chegar ao grande público (é bem mais que o popularizado “twerk”, é bom lembrar). Just Be Free foi feito para ouvir como peça única, mas tem ao menos um single com apelo de hit, “Explode”, que é também o cartão de visitas do rapper no seu plano de dominação das pistas e festas mais legais pelo mundo. Esperamos que ele tenha bastante sucesso.

big-freedia-1401470198BIG FREEDIA
Just Be Free
[Queen Diva, 2014]

Nota: 8,0

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