Crítica - Disco: exorciza fantasmas no denso "Strangers"
NOTA8.5

Marissa Nadler é uma das cantoras-compositoras norte-americanas que seguem o legado de nomes como Joni Mitchel, Nick Cave e Nathaniel Hawthorne. Faz música com as entranhas, sem pretensão e com a maior vulnerabilidade possível. Sua música é assombrada por fantasmas de seu próprio passado e as composições parecem querer exorcizá-los.

Neste sétimo álbum, Nadler segue o clima de trabalhos anteriores e entrega um conjunto de canções roqueiras onde os reverbs de guitarra dialogam com sua voz meio-soprano. Ao contrário de outras artistas que caminham nesse mesmo caminho lânguido de interpretação (estou falando de você, Lana Del Rey), Marissa tem substância suficiente para emocionar e criar uma conexão com o ouvinte. Strangers perde força, no entanto, pelo tom monótono das músicas.

Ainda que as letras se destaquem aqui, as músicas logo se dissipam ao longo da audição. É um disco críptico e cheio de profundidade e, por isso, não é indicado para uma audição casual. Requer um tempo próprio para que se possa apreciar as camadas dessa obra gótica de uma cantora que não tem medo de olhar para o lado mais sombrio da vida.

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