Foto: Divulgação.

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POP NOIR
explora a decadência de um relacionamento em novo e dolorido disco

A geração atual de cantoras/compositoras do rock independente não fica devendo a nenhum outro momento na música pop. Julia Holter, Juliana Barwick, Neko Case, entre outras, têm lançado trabalhos interessantes recentemente. Sharon Van Etten faz parte dessa turma talentosa, que expõe pontos de vista femininos muitas vezes negligenciados por intérpretes masculinos. Seu quarto trabalho, produzido pela própria, é uma incrível peça de autoconfiança que explora de forma dramática momentos dolorosos.

Com um pé no lado mais dark do cancioneiro do rock alternativo, o que a levou a ganhar comparações com Nick Drake, Sharon parece escolher o lado mais decadente e feio de aspectos da vida. Ela oferece aos ouvintes certo pessimismo sobre relacionamentos e amor. Nesse sentido, Are We There se torna um trabalho altamente intimista sobre amor, escolhas mal feitas, obsessão e solidão.

Tanta exposição sobre essa jornada romântica de um relacionamento gerou bons frutos: é um trabalho que força uma conexão. Na sonoridade, o disco chama atenção pela diversidade de instrumentos usados para neste “pop-noir” da cantora. Além de cantar, Sharom ainda toca piano, baixo, órgão e até um equipamento vintage de botão e cordas chamado Omnicord.

Are We There é um trabalho de uma artista que tem bastante controle de sua obra e que não tem um tico de medo de se expor. [Rafael Curtis]

AreWeThereSHARON VAN ETTEN
Are We There
[Jagjaguwar, 2014]

Nota: 8,0

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