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Crítica: Estrelado por The Rock, Adão Negro é raso e não empolga

Com roteiro inchado e por vezes até caótico, o novo filme da DC fica aquém do que poderia ser

Crítica: Estrelado por The Rock, Adão Negro é raso e não empolga
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Adão Negro
Jaume Collet-Serra
EUA, 2022, 2h04, 12 anos. Distribuição: Warner Bros. Pictures
Com Dwayne Johnson, Viola Davis, Pierce Brosnan
Em cartaz nos cinemas (a partir do dia 20 de outubro)

Dirigido por Jaume Collet-Serra, o primeiro filme solo do anti-herói dos quadrinhos abre as portas mais uma vez para a expansão do Universo da DC no cinema. Além de introduzir o grande antagonista de Shazam, a produção também apresenta pela primeira vez no universo cinematográfico a Sociedade da Justiça, composta por Esmaga-Átomo (Noah Centineo), Senhor Destino (Pierce Brosnan), Ciclone (Quintessa Swindell) e Gavião Negro (Aldis Hodge). Dwayne Johnson (ou The Rock), que esteve na produção executiva de Shazam! (2019), é quem dá vida ao Adão Negro nas telas.

Ambientado no país fictício de Kahndaq, o longa faz um retrospecto de quase cinco mil anos, à época em que Teth-Adam, alterego humano do Adão Negro, é agraciado com os poderes dos deuses antigos, somente para ser aprisionado logo depois. Já no presente, quando Kahndaq encontra-se tomado por estrangeiros, chamados de Intergangue, que subjugam o povo e exploram os recursos do país, o anti-herói é libertado de sua tumba eterna pela professora universitária Adrianna Tomaz (Sarah Shahi), que luta pela libertação do país.

Apesar de inicialmente propor uma abordagem anticolonialista (uma das cenas emblemáticas é quando Adrianna questiona onde esteve a Sociedade da Justiça ao longo de todos os anos de exploração neocolonial), a impressão final é de que o filme reforça o que aparenta condenar: a discussão levantada não traz grandes implicações ao desenvolvimento do enredo e, assim, passa a impressão de tratar o tema como um mero trampolim narrativo, lhe negando efeitos duradouros na trama.

O filme, que aposta na ação e na aventura com uma pitada cômica, acaba trazendo um roteiro inchado e, em alguns momentos, um pouco caótico, pecando na dosagem da ação e no timing da comédia por não proporcionar quase nenhum respiro para o espectador. No entanto, convém destacar a escolha interessante por misturar acontecimentos do presente com flashs do passado, o que incrementa o clima de tensão.

Justamente pelo inchaço da trama, a construção de vínculos e o aprofundamento dos laços entre os personagens acaba ficando comprometida. A amizade entre Teth-Adam e o garoto Amon (Bodhi Sabongui) parece mal construída e, em momentos, até forçada; da mesma forma, falta peso ao desenvolvimento do Senhor Destino e do Gavião Negro, que poderia ter sido melhor explorado.

A história do anti-herói, porém, indica alguns caminhos que devem ser seguidos nas próximas produções da Warner/DC, o que fica mais explícito na cena pós-créditos, que pode representar um alento para os aficionados pela direção dada por Zack Snyder ao universo expandido da DC nos cinemas.

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