Crítica: Homem de Aço, de Zack Snyder

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Nada de fofurice para o Superman (DIvulgação)
Nada de fofurice para o Superman: novo Superman é um sci-fi violento e sombrio (DIvulgação)

O BOFE DE AÇO
Apostando pesado na ação e no tom sombrio, Homem de Aço decepciona quem esperava mais humanidade e menos músculos

Por Paulo Floro

Super-herói mais famoso do mundo, Superman não conseguiu emplacar seu mito nos cinemas nesta primeira década. Depois do sucesso dos anos 1970 e 80, estrelado por Christopher Reeve e dirigido por Richard Donner, o personagem protagonizou um fiasco com Superman – O Retorno. Agora, a Warner o coloca de volta às telonas em um projeto muito mais arrojado, com maior foco na ficção-científica e muita violência em Homem de Aço, que estreia no Brasil nesta sexta.

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Bastante sombrio, o filme dá um tom autoral ao projeto, à semelhança do que aconteceu com a exitosa trilogia do Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan (que por sinal coassina a produção para ajudar a imagem do filme). O diretor Zack Snyder, conhecido por seu trabalho baseado em cromaqui e muitos efeitos visuais a exemplo de Watchmen e 300, decidiu arriscar neste Homem de Aço. É um de seus filmes mais crus, com muitas cenas externas. Ele foi buscar um tom mais pesado para contar a história de Superman diferente do que todos esperavam (um contraponto seria a HQ Superman All-Star, hipercolorido, escrito por Grant Morrison e na qual o longa se inspira).

Como se trata de um reinício da franquia, o filme conta a origem de Superman (Henry Cavill), começando em seu planeta natal, Krypton, muito bem construído em computação gráfica. Jor-El (Russell Crowe) conspira para enviar seu recém-nascido filho Kar-El para a Terra, já que seu planeta está condenado à destruição. Descoberto por um casal de fazendeiros, o jovem Clark Kent, como foi batizado na Terra, sofre para se adaptar a um mundo onde é incrivelmente poderoso. O filme apresenta Clark como um homem adulto em busca de seu passado. A narrativa é contada de forma fragmentada, com diversas voltas no tempo acompanhando as descobertas do herói sobre seu passado e da resolução para sua crise existencialista. Ele conta com a ajuda de Lois Lane (Amy Adams), uma repórter investigativa que descobre antes de todos a presença alienígena, o que coloca sua vida em risco.

Tudo muda com a chegada do vilão General Zod, um expatriado de Krypton que deseja vingança contra o filho de seu maior inimigo, Jor-El. Um extremista ideológico, ele deseja fazer da Terra um novo lar para habitantes do seu planeta. E no meio de seus planos está Clark Kent – esse mistério do filme é uma surpresa até para quem costuma acompanhar as histórias do herói, e por isso, contar mais estragaria a história.

Superman das Trevas
Talvez a DC deseje buscar um padrão tendo como molde o sucesso da franquia Batman – O Cavaleiro das Trevas, ou apenas deseje dar um tom mais realista aos seus personagens tão icônicos, mas o fato é que esse filme coloca Superman em sua encarnação mais “séria” nos cinemas. Mais realista, Snyder e Nolan utilizaram mais elementos de ficção-científica para dar escopo ao roteiro de um alienígena que adota a Terra como lar. Diversas pontas soltas foram explicadas – ainda que nem todas convincentes – para tornar mais convincente a história.

Como Superman aprendeu a usar os poderes? Por que existia uma Fortaleza kryptoniana no Polo Norte? O que o governo norte-americano faria frente a alguém tão poderoso solto pelos EUA? Há uma preocupação para elucidar tudo isso. Já outras novidades vieram como novidade e não fazem muito sentido – a pior delas é o fato do voo do Homem de Aço contar com uma espécie de “modo turbo”, algo bem tosco na tela.

Homem de Aço é um filme mais violento que os anteriores, com muita atenção às cenas de ação. Foi gasto tanto tempo com as inúmeras sequências de luta e destruição que não sobrou tempo para desenvolver o humanismo do personagem junto à plateia. Em certo tempo, as batalhas começam a ficar repetitivas e fica a impressão que o filme teria uns 30 a 40 minutos a menos se cortasse algumas dessas cenas. Os efeitos especiais e novas técnicas de filmagem de fato surpreendem, mas após a surpresa inicial, a plateia fica anestesiada de tanta pancadaria.

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Outro defeito do filme é que ele fica refém de sua própria grandiosidade em determinado momento. O roteiro nos distancia da figura de Superman, tornando-o inalcançável, quando deveria fazer justamente o contrário. Talvez o fato de contar a história de forma picotada tenha atrapalhado um maior envolvimento com os telespectadores. Além disso, não há tempo para empatia, já que claramente o destaque é a estética da luta.

O mito do “messias”, do herói que irá guiar a humanidade e é a única esperança de salvação, está presente, mas ganha pouca atenção no roteiro.

Futuro incerto
Um aviso: nem perca seu tempo esperando uma cena pós-crédito ao final do filme. A possibilidade da Warner de criar um sequência de longas interligado que desemboquem em um inédito longa da Liga da Justiça (como a Marvel fez com Vingadores) é remota. Sem um projeto pronto, não há nem mesmo a certeza que Homem de Aço tenha uma continuação. Por isso não há como deixar nenhuma “deixa” no final da projeção.

HOMEM DE AÇO
Zack Snyder
[Man of Steel, EUA, 2013 / Warner]
Com Henry Cavill, Amy Adams, Russell Crowe

Nota: 6,5