Foto: Divulgação/Marvel.
Foto: Divulgação/Marvel.

Gavião Arqueiro luta contra a mesmice das HQs de super-heróis

Clint Barton, o Gavião Arqueiro, sempre foi um personagem interessante. Dono de personalidade fanfarrona, sempre foi o esquentado do bando e possuía um misto de recalque e orgulho em relação à politicagem de seu grupo, os Vingadores. No entanto, durante anos, foi visto pela maior parte dos roteiristas da Marvel Comics como uma bucha de canhão.

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Nos últimos anos, talvez pela valorização repentina causada por sua escalação para o filme Os Vingadores – The Avengers (2011), o personagem ganhou um status de importância até então inédito. A elogiada HQ Gavião Arqueiro (Hawkeye), que é publicada atualmente pela revista mensal Capitão América & Gavião Arqueiro é um dos raros momentos em que a indústria de quadrinhos mainstream de super-heróis abre espaço para experimentações.

O roteirista norte-americano Matt Fraction (de Casanova) foi minimalista no roteiro. Nada de conspirações intergaláticas, guerra entre mafiosos ou um plano mirabolante de vilões sem noção. O que ele nos entrega é uma história bem contada de herói contra bandidos, fazendo referência aos gibis pulp dos anos 50.

Mostrando seu cotidiano quando está longe dos outros heróis Marvel, a HQ traz Barton atuando ao lado da sua ajudante Kate Bishop, uma nerd superinteligente e altamente treinada que atua como Gaviã Arqueira. Seu ímpeto jovem muitas vezes tira o sono de seu chefe, aqui apresentado como um herói trintão que começa a apresentar cansaço, mas ainda altamente letal.

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Fraction coloca a dupla como um contraponto aos absurdos das histórias de super-heróis. Ambos tratam com profundo desdém os clichês de vilões, o que torna a leitura da HQ bem divertida, sobretudo para quem é leitor veterano desse tipo de quadrinho. Mas metade do mérito de Gavião Arqueiro é a arte do espanhol David Aja, que tem um traço que remete ao mestre Jim Steranko. Aja é um dos nomes novos dos quadrinhos mais celebrados no momento. Seu desenho, limpo e de traços simples, se ajusta bem nos enquadramentos sóbrios, sem arroubos ou exageros e cai bem no roteiro de Fraction.

É interessante quando a indústria de quadrinhos se mostra aberta a fugir do lugar-comum. A Panini colocou a HQ como parte da revista mensal Capitão América & Gavião Arqueiro. Mas não duvidamos que, pela qualidade do material, o trabalho ganhe edição encadernada a qualquer momento.

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Matt Fraction (texto) e David Aja (arte)
[Publicado na revista mensal Capitão América & Gavião Arqueiro #1 a #6, Panini Comics, 64 págs, R$ 6,50 / Marvel Comics / 2013-2014]
Tradução: Paulo França

Nota: 8,0

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