Divulgação/Flickr.
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Coletânea H.E.I.T.O.R. traz tiras poéticas e existencialistas
Novidade nos quadrinhos nacionais, Heitor Isoda arrisca alto e acerta ao propor experiência estética pouco vista por aqui

São trabalhos como H.E.I.T.O.R., do quadrinista Heitor Isoda, que provam como os quadrinhos são uma das expressões artísticas mais ricas que existem. A coletânea de tiras, à venda no Facebook do autor de forma independente, apresenta um trabalho que podemos chamar de poético, na falta de um termo mais apropriado. O que ele faz nesse trabalho ainda carece de um termo mais preciso.

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Se fosse poesia, como classificar tiras sem texto algum, mas com uma narrativa que ganha significado pelo traço puramente subjetivo? A arte de Isoda tem efeito pelo inesperado e busca alcançar o lado menos racional do leitor – como faz a poesia! H.E.I.T.O.R. reúne uma série de tiras com traço bem delicado que se apropria do enquadramento fazendo jogos visuais. Algumas trazem elementos oníricos, outras metáforas sobre vida, morte, relacionamentos, criação, infância, sentimentos como desapego, ansiedade, saudade, inquietação.

O trabalho de Isoda encontra paralelo nos quadrinhos nas tiras de Liniers, autor argentino que também aposta no tom poético para criar alguns de seus trabalhos. Mas aqui, o espanto não se apoia no humor. Há algo mais existencialista, e por isso mais radical. Se fôssemos buscar similaridades na literatura, poderíamos colocá-lo ao lado dos concretistas como Décio Pignatari e Augusto de Campos e do poeta modernista norte-americano Wallace Stevens.

Heitor Isoda é um nome a ser descoberto, não só por amantes de histórias em quadrinhos, mas mentes dispostas a uma experiência visual e emotiva que é rara de se encontrar. O autor publica regularmente em seu Flickr e Facebook. Vale uma visita frequente.

heitor_destaque-300x196H.E.I.T.O.R.
De Heitor Isoda
[Independente, 64 págs, R$ 20 / 2013]
Compre pelo site Gibiteria ou Monkix.

Nota: 8,5

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