Crítica-HQ: Maxwell – O Gato Mágico mostra um lado ainda pouco conhecido de
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MAXWELL O GATO MÁGICO

[Pipoca e Nanquim, 132 páginas, R$ 59,90 / 2020]
Tradução de Érico Assis

Antes de ser Alan Moore, o criador de clássicos dos quadrinhos como V de Vingança, Do Inferno, Monstro do Pântano e Watchmen, o autor inglês era Jill de Ray, pseudônimo adotado pelo autor em sua tira Maxwell, publicada no pequeno jornal britânico Northants Posts de 1979 a 1986. O felino sarcástico era o meio que Moore utilizava para fazer críticas rápidas e diretas à política interna do Reino Unido, culto às celebridades, religião, entre muitos outros temas, sempre com um humor seco.

O que mais chama atenção aqui é atuar tanto no roteiro quanto no desenho. Ainda que o autor não seja reconhecido como um exímio desenhista, seu traço tem personalidade e cumpre o papel de carregar suas ideias com eficiência em uma tira bastante minimalista. É interessante notar o quanto de suas ideias já se faziam presentes aqui, muitas das quais seriam exploradas mais tarde em seus trabalhos mais famosos, como por exemplo a desconstrução de ídolos e a complexidade das relações de poder.

Mas Maxwell é uma tira muito ligada à rotina jornalística e deve ser compreendida como uma lupa nos assuntos sociais e políticos da época. A edição traz diversas notas contextualizando todos os fatos mencionados, muitos deles bem específicos e distantes para leitores brasileiros atuais. A qualidade das tiras, texto e arte, em geral é boa, mas oscila em alguns momentos, o que é de se esperar em um compilado tão grande como esse.

A edição da obra impressiona e vai bem além do que esperávamos para o tratamento de um autor tão conhecido como Moore. A Pipoca e Nanquim organizou uma antologia inédita no mundo, com a totalidade das tiras, prefácio de Eddie Campbell, posfácio de Moore, artes assinadas por artistas convidados e um longo texto explicativo assinado por Flavio Pessanha, editor do site Magazine. Um livro histórico, essencial para todo fã de Moore.

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