Crítica: Linguachula retorna 25 anos depois com a mesma inquietação de sempre
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Representante da geração Junta Tribo (festival marco do rock independente nacional), a Linguachula, uma das bandas mais interessantes de Campinas, retorna com um trabalho inédito após 25 anos. O grupo teve apenas um único e marcante disco de estreia lançado pelo Banguela Records, selo dirigido pelo produtor Carlos Eduardo Miranda (morto em 2018) em parceria com os Titãs. O novo álbum, Som de Quebrada para quem quer se Divertir, sai agora pela goiana Monstro Discos e já está disponível em todas as plataformas digitais.

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A energia primal do rock underground misturado à música brasileira e toda a estética imbuída naquele primeiro disco segue mantida aqui. Gravado de forma lo-fi em quatro canais, o registro foi feito em um take só, sem muita edição, o que conservou a espontaneidade do analógico. Com referências que passeiam por Augusto dos Anjos e Hild Hilst, o álbum traz boas letras que, em geral, tratam da poética urbana e todos os temas relacionados: sufocamento, cena noturna, relacionamentos, paisagem das cidades.

Por conta dessa retomada de um ponto exatamente anterior, a audição do disco pode soar nostálgica para alguns. Ou mesmo memorialística, um tanto distanciado do momento atual do gênero. A energia lo-fi autêntica e urgente é suficiente para justificar essa proposta revisionista, mas a banda mostra segurança e boas ideias para seguirem relevantes no rock. A volta do Linguachula evidencia o quanto o underground e toda o seu discurso anti-hegemônico e inquieto soam cada vez mais necessários em tempos sombrios.

LINGUACHULA
Som de Quebrada Para Quem Quer Se Divertir
[Monstro Discos, 2020]

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