Crítica: Novo volume de Gideon Falls constrói clima de pesadelo
8.2

Gideon Falls continua como uma das séries mais interessantes do quadrinho mainstream norte-americano ao explorar uma narrativa mais experimental em uma trama de suspense e terror que busca encontrar um tempo próprio. Criada pelo prolífico escritor Jeff Lemire (Condado de Essex), desenhada por Andrea Sorrentino (Velho Logan) e com cores de Dave Stewart, a trama tem um design bem orquestrado para falar da busca de um padre por respostas e da caçada a um assassino que pode viajar pelo tempo e espaço.

A história nesse arco é apresentada em fragmentos e a narrativa da HQ colabora para causar a sensação de desorientação percebida pelo protagonista. Vencedora do Eisner DE Melhor Nova Série no ano passado, Gideon Falls chamou atenção sobretudo por sua disposição em explorar possibilidades da linguagem do meio. A arte de Sorrentino expande e contrai requadros, cria paineis de página dupla e usa elementos do cenário como forma de contar histórias. Já as cores de Stewart, muito marcada pelo contraste entre o vermelho vivo e o preto, ajudam a criar o clima. O clima de pesadelo, é bom frisar.

Este é o terceiro volume da série lançado pela Mino (saiu originalmente nos EUA pela Image Comics) e, dada a repercussão da obra, valeria a pena um texto de apresentação para quem decidiu começar a acompanhar a partir daqui. A edição é muito bonita e corrobora com a proposta da editora de ter um dos mais diversificados catálogos do mercado hoje. Gideon Falls tem tudo para se tornar um dos trabalhos mais relevantes de Lemire, um dos autores do quadrinho americanos mais publicados no Brasil.

GIDEON FALLS VOL 3 – VIA SACRA
De Jeff Lemire, Andrea Sorrentino e Dave Stewart

[Editora Mino, 136 páginas, R$ 69,90 / 2019]
Tradução: Dandara Palankof

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