Foto: Divulgação/Universal.

Crítica: Os Fabelmans mostra jornada afetiva de Spielberg em meio ao divórcio dos pais

Longa com Michelle Williams e Paul Dano está longe de ser um dos melhores trabalhos de Spielberg, mas traz um olhar sensível sobre o poder do cinema

Crítica: Os Fabelmans mostra jornada afetiva de Spielberg em meio ao divórcio dos pais
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Os Fabelmans
Steven Spielberg
EUA, 2022, 2h31 / Universal
Com Michelle Williams, Gabriel LaBelle e Paul Dano

Em Os Fabelmans, o veterano diretor Steven Spielberg usa sua vasta experiência para contar sua própria história. Esta ficcionalização de sua vida é também uma maneira do cineasta de fazer uma ode ao poder do cinema e sua capacidade de propiciar, coletivamente, uma maneira de compreendermos a nós mesmos.

A história acompanha um garoto judeu de classe média, Sammy (o estreante Gabriel LaBelle), em sua jornada de descobertas e amadurecimento. Ele sonha em se tornar cineasta e já demonstra, desde pequeno, um talento nato em unir o conhecimento técnico com as soluções criativas necessárias para criar as ilusões fílmicas que tanto nos fascinam na tela grande. Neste filme, Spielberg trata do divórcio dos seus pais, aqui interpretados por Paul Dano e Michelle Williams. O longa é uma forma de se reconciliar com esse passado e também para compreender o papel que cada um teve na formação de Spielberg como artista.

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Burt Fabelman (Dano) é um cientista que mais tarde trabalharia no desenvolvimento dos primeiros computadores pessoais, na IBM. Ele é um pai amável e atencioso, mas que, por conta de sua profissão decide se mudar da pacata Arizona para a Califórnia. Mas é a mãe, Mitzi (Michelle Williams) a personagem que contribui para moldar a persona artística do jovem Sammy. Pianista amadora e com uma sensibilidade para as artes, ela tolheu seu talento para cuidar da família. Mas é um acontecimento durante uma viagem em família – o que envolve o tio e amigo do casal Bennie (Seth Rogen) – que muda a relação de todos para sempre.

Ao mesmo tempo dedicada aos afazeres domésticos e mãe atenciosa, Mitzi nunca se encaixou nesse personagem da dona de casa dedicada e essa sua tentativa de escapar àquela situação a deixa transtornada, afetando toda a família. Williams consegue levar à personagem todas as nuances necessárias para lidar com essa complexidade de sentimentos, ainda que sua interpretação seja atrapalhada por um roteiro que insiste em percorrer caminhos fáceis.

Spielberg trabalhou com o premiadíssimo Tony Kushner, nome responsável pelo sucesso Angels In America. A parceria com o diretor de Os Fabelmans rendeu indicação ao Oscar por Lincoln em 2013 e Munich em 2006 e, no ano passado, fizeram juntos o remake de Amor, Sublime Amor. Neste novo longa, apesar da narrativa coesa unindo a história pessoal do protagonista com o papel afetivo do cinema enquanto arte, há um excesso de didatismo que prejudica a experiência. Tudo é dito, falado, de maneira muito articulada e óbvia. Isso acaba quebrando um pouco do mistério que se esconde nas relações familiares e que são preenchidos com a vivência de cada pessoa que assiste.

O que se mantém intacto é a capacidade de Steven Spielberg de entregar imagens belíssimas que são possíveis, sobretudo, por conta do seu olhar experiente, que consegue tirar o melhor de cada tomada, de cada cena. Esse espírito generoso faz do diretor um dos maiores cineastas de sua geração e um dos poucos a se manter afiado e instigado de maneira prolífica por tantos anos. Os Fabelmans nos ajuda a compreender um pouco mais como ele chegou até aqui e as pessoas que o ajudaram.

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