Crítica: Rohan no Louvre, de Hirohiko Araki, diverte pelo impacto visual
7.5

Rohan no Louvre une duas forças da cultura pop em um encontro, no mínimo, inusitado: Jojo’s Bizarre Adventure, de Hihohiko Araki, um dos mangás de maior sucesso atualmente e o Museu do Louvre, uma das mais conhecidas instituições culturais do mundo. A HQ, que saiu no início deste ano pelo Pipoca e Nanquim, coloca um dos mais populares personagens do mangá no meio de uma trama de investigação no museu francês.

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A empreitada do Louvre em se unir a quadrinistas começou em 2009, quando o museu promoveu em suas galerias a exposição temática Le Petit Dessein: Le Louvre Invite La Bande Dessinée (ou Cartoons: The Louvre Invites Comic-Strip Art). Na ocasião, Araki e vários outros artistas tiveram a honra de expor seus trabalhos nesta que é uma das maiores instituições de arte do mundo. Inclusive, esta foi a primeira vez que um mangaká teve uma obra exposta por lá, o que por si só é um feito e tanto.

A partir desse encontro nasceu o Projeto BD, promovido pelo próprio Louvre, onde autores, de diversos países do mundo, criam obras inspiradas pelo Museu. Além de Araki, também participaram autores como Naoki Urasawa, Taiyo Matsumoto, Nicolas de Crécy e Jiro Taniguchi. Deste último, o Pipoca e Nanquim publicou Guardiões do Louvre, que segue o estilo impressionista do autor e que também se passa no museu.

Rohan no Louvre, na prática, é um spin-off de Jojo’s Bizarre Adventure, mas tenta se fazer entendível por todos os leitores, mesmo quem nunca leu nada do mangá, pois contextualiza a história da série. Seu principal apoio é no imaginário do Louvre, sobretudo na sua arquitetura. O protagonista é Rohan Kishibe, um desenhista de mangás presente na quarta saga de Jojo’s. Ele tem o poder (chamados na obra de “Stands”) de ler e reescrever as lembranças e sentimentos da pessoa, transformando partes de seu corpo em páginas de livro. Assim que ele faz isso, a vítima é obrigada a agir de acordo com o que ele escreveu em suas páginas.

O mangá aborda a busca de Rohan por uma pintura bizarra, escondida em um lugar esquecido do Louvre, que carregaria uma maldição. A visita ao Museu rende momentos bem bonitos e que servem, sobretudo, como uma homenagem e um reforço do projeto que busca promover a instituição. O desenho de Araki busca ângulos fora do óbvio e trazem uma perspectiva de muita imersão com seus detalhes e enquadramentos cheios de dinamismo. Seus personagens também seguem esses traços dramáticos, com uma expressividade que beira o expressionismo e com poses pouco naturais. É estranho e belo na mesma medida. Também ajuda o fato da edição brasileira ser em tamanho gigante, quase como um quadro, um formato pouco comum para mangás e de ser todo em cores.

Já a trama não tem muita inventividade. Além do carisma do protagonista e da narrativa dramática de Araki, a história é bem convencional no que diz respeito a um suspense. Tanto a motivação para a busca pela pintura quanto a resolução do mistério envolvendo a obra soam rasas. O meio do caminho é que é interessante: o passeio ao Louvre, os cenários, o uso do poder bizarro de Rohan e até o modo como ele retratou obras importantes do Louvre, tudo isso é bem divertido e escapista. Podemos dizer que o impacto visual proporcionado pelo Museu foi alcançado, ao nível do mangá, neste lindo trabalho de Araki, hoje um dos nomes mais interessantes entre os mangakás.

ROHAN NO LOUVRE
De Hirohiko Araki

[Pipoca e Nanquim, 132 páginas, R$ 69,90 / 2020]
Tradução Drik Sada

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