Crítica: retorna ao pop suntuoso em Unfollow The Rules
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Em Unfollow The Rules, o músico norte-americano Rufus Wainwright retorna ao pop suntuoso e orquestrado do seu início de carreira. Após investir em registros de ópera e música clássica, o seu primeiro álbum pop desde 2012, chega com comentários sobre a vida com humor e delicadeza.

Ao longo de todo o disco, é possível perceber comentários sobre aspectos do cotidiano e questões atuais, o que é algo novo para um artista introspectivo como Rufus. Seus temas preferidos, como aceitação e identidade, no entanto retornam neste trabalho, que mostra um artista mais aberto e maduro.

Parte das faixas refletem a fase atual do músico, de homem de família feliz, como “My Little You”, que fala de sua filha de nove anos, Viva. “Peaceful Afternoon”, escrita para seu marido, Jörn Weisbrodt, fala de detalhes do cotidiano que no fundo resumem a segurança e alegria dos prazeres domésticos do estar junto.

“Devils and Angels (Hatred)” traz de volta o Rufus acostumado ao clímax exagerado dos pianos. A faixa vai crescendo em energia, como uma indignação abrupta que vai ganhando força. “O conceito vem de uma ópera que vi na Itália com minha mãe há muitos anos – Gluck’s Armide, que estreou apenas 10 anos antes da revolução francesa. Há uma cena incrível em que a personagem principal precisa convocar o ódio para se salvar. Ela canta uma ária e o ódio aumenta. É claro que o ódio não é ótimo, mas nem tudo é negativo. É uma energia necessária na batalha”, escreveu ele na apresentação da faixa.

O disco é cheio desses arroubos levados por uma orquestração e uma interpretação cheia de vigor, o que é um alento para quem esperava pelo Rufus cheio de pinta de discos como Want One (2003) e Want Two (2004), registros que traziam um romantismo jovial bem presente. É bom tê-lo de volta, agora celebrando os prazeres da vida de pai e marido, mas igualmente magnífico.

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