Crítica: Sex and The City 2

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RESSACA DO AMOR
Sex and the city 2 faz caricatura da condição feminina, mas tem momentos interessantes

Por Rafaella Soares
Repórter da Revista O Grito em Recife

Sex and the City quando se fala sobre a série, não há muito como ficar indiferente. Os detratores vão destacar a superficialidade que sim, permeia a história de quatro amigas, moradoras de Nova York, sexualmente bem-resolvidas( ou vendedoras sôfregas dessa imagem), consumistas e lançadoras de tendência que ultrapassaram a ficção – vide a associação da imagem da atriz Sarah Jessica Parker com a marca de sapatos Manolo Blahnik- , extravagantes.

Os fãs que não abandonaram as personagens ao fim da série e puderam ser espectadores do primeiro longa em 2008, e agora ganham esta continuação. Enquanto houver uma ligação entre a passagem de tempo na vida das personagens e o amadurecimento do público que as acompanhou de perto, a grife ainda poderá ter várias versões no cinema. Esta que teve sua estréia na última sexta (28), chamada apenas Sex and The City 2, é mais uma auto-paródia do que revival do glamour inerente ao nome.

Toda mulher se identifica em algum momento com Carrie e cia. No filme, um pulo de dois anos dá conta da vida delas depois do desfecho clássico com casamento para elas – menos Samantha (Kim Catrall). Mas essas pavoas urbanas, criadas na Big Apple, não poderiam estar contentes pedindo comida em casa, vendo uma enorme tv (presente do maridão) em um quarto confortável e com bebês chorando o dia inteiro.

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Uma desculpa qualquer leva as meninas a Abu Dhabi, para aventuras que não passam longe de qualquer blockbuster de aventura masculina em despedida de solteiro. Soltas em cenário luxuoso do tal “novo oriente médio”, elas vão chocar no único lugar onde carícias íntimas de um casal em restaurante e camisinhas dentro de uma bolsa causam espanto, e só lá.

Entre puritanismos que não caberiam nem na ideia de mulheres emancipadas, nem na vida amorosa contemporânea como um todo (como ter uma crise de identidade ao beijar fortuitamente um ex-namorado), achaques de mulherzinha chocada com a burca das mulheres muçulmanas, além da eterna insegurança de confiar suas crianças a babás atraentes, o filme tem seus momentos engraçados.

Alguns deles creditados a troca ininterrupta de figurinos. Não tem como ficar indiferente, mesmo em tempos de Lady Gaga, às excentricidades de Sarah Jessica Parker e suas montações. O começo também, não poderia ser mais entusiasmado: o casamento gay com participação da lenda Liza Minelli cantando “Single Ladies”, de Beyoncé, tão engraçado que chega a comover para quem já assistiu a atriz em clássicos como Cabaret (1972).

Mas não dá para deixar de notar a esmorecida, não da relação entre elas, mas do sentido de se voltar outra vez ao que já foi excessivamente explorado na tv à cabo por seis anos.

NOTA: 5,5

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Editora colaboradora