Cena do longa "Uma Pitada de Sorte"/ Divulgação

Crítica: Uma Pitada de Sorte se desenvolve em torno do carisma de Fabiana Karla

Em tom de comédia romântica, o filme traz roteiro interessante, mas compromete a narrativa quando se rende à comédia de esquetes

Crítica: Uma Pitada de Sorte se desenvolve em torno do carisma de Fabiana Karla
2.5

Uma Pitada de Sorte

Pedro Antonio
BRA, 2022, 1h33, distribuição Downtown Filmes e Paris Filmes
Com Fabiana Karla, JP Rufino e Jandira Martini

Conhecida em todo o país por seu humor caricato, a atriz pernambucana Fabiana Karla é a grande estrela do longa Uma Pitada de Sorte, que conta com a direção do cineasta Pedro Antônio e roteiro produzido em conjunto com Regiana Antonini e Álvaro Campos

Abusando do carisma do elenco, a narrativa do longa gira em torno da personagem Pérola (Fabiana Karla), uma mulher que mora junto à mãe (Jandira Martini) e o irmão mais novo (JP Rufino) e trabalha como animadora de festas infantis. Apesar do ganha-pão, o maior sonho da protagonista da trama é ser uma renomada chef de cozinha e para atingir seu objetivo, ela se inscreve acaba por ser aprovada em um programa de televisão onde vai atuar como auxiliar de cozinha de um famoso — e atraente — chef, Diego (Ivan Espeche). Com a ajuda de sua família, a qual ela faz o máximo para orgulhar e não decepcionar assim como seu melhor amigo, Lugão (Mouhamed Harfouch), Pérola passa por uma jornada divertida sobre emancipação, e descobrimento pessoal. 

Com a grande premissa de ser mais um dos filmes de sucesso na tradição da comédia brasileira mainstream, o filme é marcado por situações onde a piada é explorada em sua totalidade e o cômico perpassa as falas dos personagens e também se encontra nas ações, nos gestos e nas situações inusitadas. Apesar disso, contudo, a narrativa não parece capaz de seguir uma linha muito eficaz e traz cenas que, apesar de engraçadas, não acrescentam substância para o desenrolar da história, além de também apresentar momentos quase como esquetes, que, incapazes de comunicar-se com o espectador, se perdem na gag pura e simples.

Apesar dos problemas de condução, o grande ponto alto do filme é a atuação de Fabiana. Já consagrada na televisão como comediante, a atriz é capaz de dominar as cenas e seu carisma consegue fazer muito pelo roteiro. Quem também se destaca é JP Rufino, que ainda muito jovem, dá um show de atuação e se torna um artista de interesse para outras comédias nacionais. 

Outro ponto que vale a pena destacar como positivo é o tratamento que a protagonista recebe na trama por parte de interesses românticos de Pérola durante a narrativa. É muito comum ver nas produções brasileiras uma típica gordofobia camuflada como comédia nas quais a mulher gorda é colocada em uma posição errônea de ser alguém sem apelos, atrativos, quase sem beleza física. Na obra, a direção de Pedro Antônio quebra com esse estereótipo preconceituoso e traz para as telonas uma mulher gorda que é sim, bonita, atraente.

Assim, com o tom de comédia romântica, o longa se apresenta como um produto criado em volta de comédias de situação, mas por vezes, esse humor perde o tom e se torna algo exacerbado, até irreal. Com esse toque um pouco fora do tom, a obra ainda consegue se desenvolver e criar situações onde as lições que o filme quer passar ficam claras e são entregues ao espectador.

Entre as claras mensagens do filme, é importante destacar a jornada pela independência de Pérola, que passa por situações adversas e acaba por encontrar mais de si mesma e perceber sua própria força interior e gana para conquistar seus sonhos. Além disso, o sentimento de compreensão é algo que perdura por entre as personagens de mãe e filha e é bonito entender o amor que nutrem uma pela outra. 

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