Brennand

Nesta terça (12), quando o calendário marca o aniversário das cidades-irmãs Recife e Olinda, será exibido pela primeira vez o documentário “Francisco Brennand”. A mostra, aberta ao público, contará com a presença do artista plástico, normalmente recluso em seu ateliê na Várzea, além de familiares e nomes da cena audiovisual.
Produzido pela Mariola Filmes, o trabalho mostra o universo particular do pintor, escultor e ceramista pernambucano Francisco Brennand, que aos 85 anos decide romper o silêncio para revelar os segredos de sua arte e sua vida dentro da Oficina Brennand.

Francisco de Paula Coimbra de Almeida Brennand nasceu a 11 de junho de 1927, na cidade do Recife, capital do Estado de Pernambuco. Em novembro de 1971, o artista começou a reconstruir a velha Cerâmica São João da Várzea, fundada pelo seu pai em 1917. Esse conjunto, encontrado em ruínas, deu início a um colossal projeto de esculturas cerâmicas que deveriam povoar os espaços internos e externos do ambiente. Hoje mais de 3 mil obras em cerâmica, pintura e desenho povoam os espaços da Oficina Brennand.

O artista trabalha há mais de 40 anos em seu atelier-Oficina, localizado na Várzea, Zona Oeste do Recife. Aos 85 anos ainda trabalha todos os dias, de segunda a domingo: se recusa a sair de sua Oficina. Quem quiser encontrá-lo, precisa ir até lá. Um museu a céu aberto, que abriga mais de 3 mil obras em pintura e cerâmica e, é visitado por mais de mil pessoas por mês.

Ao longo do tempo Francisco se tornou apenas “Brennand”, artista mundialmente conhecido pela monumentalidade de sua obra em cerâmica. Considerados por muitos polêmico, controverso, pornográfico, inacessível. Tamanho isolamento e reclusão distanciaram Francisco do público, de seus pares, e da critica, que podem desfrutar de sua obra mas não tem fácil acesso a ele. Muito se fala sobre Brennand, sem que se conheça quem ele é.

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Em sua solitária jornada, Francisco Brennand escreveu um diário. Começou aos 22 anos, quando viajou para Paris sonhando seguir a carreira de pintor. Viajou barbado, carregando um livro verde embaixo do braço onde passaria a narrar suas aventuras. Com o passar do tempo, seu diário se transformou no fiel depositário de seus dasabafos e compania nas intermináveis horas de solidão. O livro verde ainda existe. Assim como mais de 2 mil páginas escritas de próprio punho ao longo de 60 anos. Nos anos 90, Francisco chegou a publicar pequenos trechos no Diário de Pernambuco mas o conteúdo maior ainda permanece inédito. Ele escreveu o diário como um documento importante que poderia, no futuro, esclarecer quem era, o que pensava e o que pretendia Francisco Brennand. Essas páginas, abrem a porta para seu universo interior e revelam as intenções do artista.

Em 2012, Francisco Brennand teve o conjunto de sua obra reunido no livro “O Universo de Francisco Brennand”, Editora G. Ermakoff, com prefácio de Ferreira Gullar e texto de Alexei Bueno. O livro ainda conta com uma cronologia ilustrada, trechos de seu diário e os principais textos críticos escritos sobre sua obra. A publicação é fruto da pesquisa e da catalogação da obra escultórica e pictórica do artista coordenada pela diretora ao longo dos 10 anos de convivência com o artista. A última etapa do projeto iniciado com o filme, é o lançamento dos Diários de Francisco Brennand: O Nome do Livro e O Nome do Outro, nos quais o a obra em estreia é baseada.

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