Rapper paulistana traz letras contra o machismo e racismo e mostra liberdade em trafegar por diversos gêneros, do funk ao pagode

parte para o embate com um disco que une rap e pop
NOTA8.5

O primeiro álbum da rapper Drik Barbosa é muito pontuado pelas marcas de seu tempo: dialoga com questões muito urgentes do presente, como feminismo, protestos contra a violência, machismo e uma autoafirmação em busca de força frente a tantos contratempos (“mil vezes mais fortes, mil vezes mais ágil / aceita nossa presença”, diz em “Herança”.

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Mas o disco marca também duas conquistas que dizem muito respeito ao momento do mercado fonográfico: Drik é destaque em um ambiente historicamente (e infelizmente) dominado por homens. E sua força no rap é inegável. Mas o que salta aos ouvidos é sua liberdade por trafegar com desenvoltura por diversos estilos, e em todos o apelo pop é bem significativo.

O disco tem dancehall, pagode, R&B, funk, tudo embalado com uma potência pop muito forte. Sem deixar, claro, de reforçar uma visão muito particular do hip hop. Essa diversidade é parte dessa renovação do pop brasileiro, que, após o auge nos anos 1980, alcança agora um reconhecimento e sucesso inéditos nessa proporção. Produzido por Grou, o disco traz participações de Luedji Luna, R.A.E., ÀTTØØXXÁ, Karol Conka, Gloria Groove, Cínico, Lira, e Rael.

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Nas letras, Drik tira forças da ancestralidade para falar contra o machismo e patriarcado, bem como racismo. Seu discurso é quase sempre positivo, de embate, como “Quem Tem Jorge”, cheia de suingue com um pelotão formado por Groove e Conká para enaltecer a rima das minas. Em “Luz”, com um R&B mais experimental, temos a presença de Emicida falando de esperança.

Toda a mensagem política e de luta da estreia de Drik Barbosa se mostra bem entrosada com um apuro pop muito marcado, com uma produção sofisticada que a colocam no pelotão de frente do pop e do rap BR.

DRIK BARBOSA
Drik Barbosa
[Laboratório Fantasma, 2019]

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