A mídia independente e comprometida com a liberdade de expressão e deve assumir a responsabilidade de barrar a onda conservadora repleta de ódio

Quando pensávamos que, em 2016, por conta do golpe que desrespeitou o voto popular, já tínhamos chegado ao fundo do poço em termos de retrocesso político e social, em 2017 constatamos que o buraco é mais embaixo. A retirada de direitos legítimos adquiridos pela classe trabalhadora, o desmonte de várias ações de políticas públicas voltadas para as minorias, entre outros absurdos, vem afetando a vida do país e mostrando claramente que “o combate à corrupção” foi apenas um pretexto para o reajuste de um modelo econômico, cuja meta é continuar privilegiando os interesses de quem sempre esteve no poder.

Para atingir seus objetivos, o grupo político e econômico golpista, aliado aos sistemas de comunicação da mídia hegemônica, não teve o menor pudor em se aliar com religiosos fundamentalistas, movimentos de extrema-direita e com oportunistas disfarçados de democratas.

E o resultado disso estamos vendo agora. Esse abismo aberto pelas forças sombrias – fruto da ignorância, da intolerância e da incapacidade de racionalizar os fatos e refletir sobre eles de forma equilibrada e crítica – vem atingindo sobretudo os movimentos sociais e o campo da cultura. O ressurgimento do conservadorismo anacrônico pode ser medido nos diversos episódios no decorrer desse ano, como interdição de exposições artísticas, polêmicas idiotas e infundadas em torno da nudez de artistas, protestos estúpidos contra os debates em torno da questão de gênero, além das inúmeras manifestações que reforçam a LGBTfobia, o machismo e o racismo.

Diante desse cenário, artistas e produtores culturais, lúcidos e esclarecidos, têm mostrado os perigos do momento atual e os riscos que estamos correndo de uma volta da censura e da intolerância com a diversidade de pensamento. Para a mídia independente e comprometida com a liberdade de expressão, com o respeito pelos valores democráticos, e que não cai no discurso isentão, nada mais importante, hoje, do que, de forma ética e sem fazer sensacionalismo, dar voz aos negros, às mulheres, às pessoas LGBTQ, aos povos indígenas, aos artistas da periferia, para barrar essa onda conservadora.

E é com esse pensamento que nós continuaremos, no próximo ano, a exemplo do que fizemos em 2017, a abrir espaço em nossas produções (Revista O Grito!, programa O Grito! FM, Revista PLAF) e em futuros projetos, para noticiar e cobrir os diversos assuntos da cultura pop – música, cinema, quadrinhos, literatura, artes visuais, moda, teatro – mas também para debater de forma consciente e crítica os assuntos relevantes dos dias atuais no campo das artes e do entretenimento.

E já estamos instigados para a luta contra a caretice com o lançamento do novo visual da nossa revista on-line, com mais um número saindo da gráfica da Revista PLAF e com o anúncio de mais uma temporada de O Grito! FM a partir de fevereiro na Rádio Universitária FM. Que em 2018, tenhamos ânimo para as batalhas, não apenas para impedir os retrocessos, mas também para avançar nas conquistas.

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