Eike – Tudo ou Nada traz atuação brilhante de Nelson Freitas, mas narrativa não se sustenta

Apesar do rico material em mãos, roteiro vazio não se aprofunda em seu personagem principal nem no mundo empresarial

Eike – Tudo ou Nada traz atuação brilhante de Nelson Freitas, mas narrativa não se sustenta
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Eike – Tudo Ou Nada
Andradina Azevedo e Dida Andrade
BRA, 2022, 12 anos, 1h40
Com Nelson Freitas, Carol Castro, André Mattos, Thelmo Fernandes, Xando Graça
Distribuição: Paris Filmes

Eike Fuhrken Batista da Silva nasceu no município de Governador Valadares, no estado de Minas Gerais em 1956 e, aos seus 65 anos, está marcado na história contemporânea como um dos empresários mais famosos e controversos do Brasil, que chegou a ter o título de sétimo homem mais rico do mundo, em 2012. Agora a narrativa do bilionário brasileiro tomou as telas do cinema nacional e explica a jornada de Eike do topo à sua decadência.

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Com a direção e roteiro feitos pela dupla de cineastas Andradina Azevedo e Dida Andrade, o longa é inspirado no livro homônimo escrito pela jornalista Malu Gaspar. Assim, com base em pesquisa dedicada da escritora e da dupla, o filme Eike – Tudo ou Nada surge como uma obra biográfica que deseja se debruçar sobre a vida de um homem carismático e que através de sua jornada como empresário, roubou milhões de reais e se envolveu em escândalos de corrupção.

Através da atuação de Nelson Freitas, que interpreta Eike, é possível identificar o grande acerto do filme. Como um camaleão, o ator parece ter se desprendido completamente de sua própria essência e vestido a
roupa e a alma do empresário que interpreta. Do início ao fim, o ator consegue passar credibilidade ao espectador que o enxerga como a grande estrela do show, mas isso por si só não é o suficiente para sustentar nas costas o desenrolar da trama, que de forma rasa, não consegue se destacar ou passar sentimentos com grande claridade.

Com uma visão ingênua sobre Eike, o roteiro se desenrola sem ser capaz de verdadeiramente pausar o mundo e entrar no homem cuja história se pressupõe aprender. Quem assiste ao longa busca conhecer mais sobre a mente por trás de um dos maiores escândalos de corrupção econômica da história. O roteiro, porém, coloca Eike como um ingênuo empresário que não sabia onde estava se metendo enquanto acumulava sua grandiosa fortuna. Há pouco aprofundamento sobre o acúmulo de seu dinheiro, a criação da petroleira OGX e até mesmo sua prisão como parte do processo de desdobramento da Operação Lava Jato. Falta estofo à trama.

Depois de sua prisão, ele também se tornou réu em processos relacionados à corrupção e lavagem de dinheiro e acabou por decidir expor os esquemas os quais fazia parte, tornando-se um dos participantes da famosa delação premiada que envolve o caso. Assim, apesar de uma caracterização dedicada e verossímil, além de atuações reais e capazes de instigar, o restante do filme não tem a mesma potência, o que o torna quase sem sal, uma vez que não cumpre com a grande premissa do que se propõe a fazer: contar a história de Eike Batista.

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