O cinema é uma arte e uma indústria que nasceu e se desenvolveu voltando-se para narrativas masculinas. Produzido pelos e para os homens, reservou para as mulheres um lugar de subjugação, nas telas e nos sets, que vem sendo constantemente questionado e transgredido nos últimos tempos.

Neste sexto episódio do “Eu curto, tu curtes, ele, o curta”, um podcast da Revista O Grito! para quem gosta e quer conhecer a produção dos filmes em curta-metragem no Brasil e no mundo, decidimos colocar luz sobre esse assunto e trazer para vocês algumas informações sobre a desigualdade de gênero que assombra a sétima arte, assim como o trabalho de algumas mulheres incríveis que lutam por seu espaço. A apresentação é Alexandre Figueirôa e de Túlio Vasconcelos, com edição de Jonatan Oliveira. Assine nosso feed e ouça o podcast no Spotify.

Apesar de o cinema ter sido historicamente um espaço masculino e branco, mulheres que questionam esse paradigma vêm constantemente tentando mudar essa realidade. Sendo assim, para exaltar o trabalho dessas – e de muitas outras cineastas, vamos abordar neste programa nomes de importantes mulheres da história do cinema.

Diretora, roteirista, continuísta e mestra em comunicação, Adelina Pontual é um dos maiores nomes do cinema pernambucano e já trabalhou em produções como Central do Brasil, de Walter Salles (1998), Carandiru, de Héctor Babenco (2003), Era Uma vez, Eu Verônica de Marcelo Gomes (2012). Ela também dirigiu e roteirizou o longa Rio Doce/CDU e curtas-metragens como ReTratro, Véio (2005), O Pedido (1999), Cachaça (1995) entre outros. Realizado em 2012, analisamos o curta ReTrato, que aborda a história de uma mulher que, um dia, ao completar 53 anos, confronta-se consigo mesma e com a imagem que criou de si ao longo dos anos.

  Agnès Varda dirige Jasmine Thiré em Les 3 Boutons (Foto: Divulgação)

Dirigido pela franco-belga Agnès Varda, Les 3 Boutons conta a história de uma menina de 14 anos que mora no campo e que se encanta ao receber do carteiro uma encomenda surpresa. O presente é um vestido de festa. Agnès começou o seu trabalho dentro do movimento francês Nouvelle Vague e trabalhou ao lado de pessoas como Chris Marker, Alain Resnais, Marguerite Duras e Alain Robbe-Grillet. Juntos, eles formavam a Rive Gauche, grupo com os participantes menos conhecidos na época, diferente do grupo do Truffaut e Godard da turma da revista Cahiers du Cinéma.

Tendo a imagem como objeto de seu interesse e dedicando especialmente à imagem em movimento, a jornalista e pesquisadora Maria Cardozo é diretora artística do Fincar (Festival Internacional de Cinema de Realizadoras). Ela destaca que é importante transbordar representações fixas de gênero no cinema, questionando os padrões hegemônicos.

Dicas

A cidade de Madrid converte-se na capital do cinema feminino durante o Festival Internacional Cine por Mujeres, que celebra a sua quarta edição, com a China como país convidado. O evento, que decorrerá de 27 de outubro a 7 de novembro de 2021, em diversos centros culturais da cidade, surge como uma plataforma para dar visibilidade às criações audiovisuais realizadas por mulheres.

Por sua vez, em novembro e em formato online, ocorre o Fincar, que neste 2021 entra em sua terceira edição. O evento está marcado para ocorrer entre os dias 12 e 21 de novembro. O Fincar abre pela primeira vez espaço para obras de mulheres cis e trans, além de receber também obras dirigidas por pessoas não-binárias, transmasculinas e homens trans. Também nesta edição, o Fincar conta com um conselho político para debate e direcionamento do festival, formado pelos grupos Mulheres no Audiovisual Pernambuco – MAPE, Negritude do Audiovisual PE e FICINE – Fórum Itinerante de Cinema Negro.  O festival também terá ações em parceria com a Universidade Livre Feminista e com o Observatório Latino-Americano de Realizadoras – Olar.

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