O cinema brasileiro vive uma grande fase, com lançamentos cada vez mais numerosos , arriscando-se em gêneros muito além da comédia e do drama social. Filmes clássicos do cinema nacional são tema do oitavo episódio do “Eu curto, tu curtes, ele, o curta”, um podcast da Revista O Grito! para quem gosta e quer conhecer a produção dos filmes em curta-metragem no Brasil e no mundo. A apresentação é Alexandre Figueirôa e de Túlio Vasconcelos, com edição de Jonatan Oliveira. Assine nosso feed e ouça o podcast no Spotify.

Neste episódio, analisamos os filmes Aruanda (1960), dirigido por Linduarte Noronha, e A velha a fiar (1964), com direção de Humberto Mauro. A primeira obra é um documentário a respeito dos quilombos que marcaram época na história econômica do Nordeste canavieiro. A luta entre escravos e colonizadores terminava, às vezes, em episódios épicos, como Palmares. Olho d´Água da Serra do Talhado, em Santa Luzia do Sabugui (PB), surgiu em meados do século passado, quando o ex-escravo e madeireiro Zé Bento partiu com a família à procura de terra de ninguém. Já a segunda é um filme ilustrativo da velha canção popular do interior do Brasil, usando como fundo aspectos, tipos e costumes das velhas fazendas em decadência.

Linduarte Noronha foi repórter, critico de cinema, procurador do Estado e professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba, onde se aposentou nos anos 90. O cineasta influenciou toda uma geração de documentaristas e ficou conhecido internacionalmente pela sua obra Aruanda, sendo considerado precursor do Cinema Novo inclusive por Glauber Rocha seu representante mais expressivo.

Por sua vez, nascido na cidade de Volta Grande, Minas Gerais, dois anos depois dos irmãos Lumière terem feito a primeira projeção pública de imagens em movimento com o cinematógrafo, Mauro construiu uma carreira de respeito a partir da década de 1920, com longas como Brasa Dormida (1928), Lábios Sem beijos (1930), Ganga Bruta (1933) e O Descobrimento do Brasil (1936), além de ter produzido mais de 300 curtas quando trabalhou no Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) entre 36 e 64.

Dicas

Atores e produtores da cena independente, Daniel Jaber e Luciana Damasceno conhecem bem a batalha que é fazer cinema no Brasil. Entusiastas do formato curta-metragem, também sabem a dificuldade que é conseguir exibir os filmes depois de prontos, tendo visto muitos de seus títulos “morrerem” após percorrer o circuito de festivais. Foram esses motivos que levaram o casal de mineiros, de Belo Horizonte, a desenvolver a plataforma de streaming Cardume. A assinatura com preço popular, de apenas R$ 5 reais por mês, busca atrair e criar público para o formato. Atualmente, a página tem 46,5 mil acessos mensais, com 10% de visitantes internacionais. Acesse aqui o site do Cardume.

54ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB) está marcada para ocorrer entre os dias 7 e 14 de dezembro. A edição deste ano será, mais uma vez, em formato virtual: os longas da mostra nacional competitiva serão exibidos às 23h30, no Canal Brasil, enquanto os curtas estarão disponíveis na plataforma InnSaei.TV – de graça. O protagonismo do gênero fictício nas produções chama atenção: setenta por cento dos filmes selecionados são ficções, vindas de 11 estados brasileiros.

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