O Instituto Moreira Salles inaugura no próximo sábado uma exposição no IMS Paulista sobre Clarice Lispector. A mostra revela diálogos entre a obra de Clarice Lispector e a de artistas plásticas de sua época, como Maria Martins, Fayga Ostrower e Lygia Clark. Além dos trabalhos de artes visuais, a exposição apresenta manuscritos, fotografias, entre outros documentos que pertencem ao acervo pessoal da escritora.

Serão exibidas obras de 26 artistas visuais mulheres, que atuaram na mesma época de Clarice, entre as décadas de 1940 e 1970. No conjunto, há ainda trabalhos de Mira Schendel, Letícia Parente, Djanira e Celeida Tostes, entre outras.

A mostra reúne ainda aproximadamente 300 itens, incluindo manuscritos, fotografias, cartas, discos e matérias de imprensa, entre outros documentos do acervo pessoal da autora. Este acervo pessoal de Clarice está sob guarda do IMS desde 2004, com um total de mais de mil itens. A curadoria é do poeta Eucanaã Ferraz, consultor de literatura do IMS, e da escritora e crítica de arte Veronica Stigger. A entrada é gratuita, com agendamento prévio pelo site.

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Nome fundamental da literatura brasileira, a autora, cujo centenário foi celebrado ano passado, também nutria grande interesse pelas artes visuais, expresso tanto em sua incursão pela pintura, na década de 1970, quanto pela presença de personagens artistas em seus livros.

Para criar essas interlocuções com as artes visuais, a curadoria adotou o conceito de constelação, presente no título e na expografia da mostra. Em 11 núcleos, são apresentados trabalhos em diversos suportes, como escultura, pintura, desenho, fotografia e vídeo. As obras das artistas estão sempre em diálogo com trechos de textos de Clarice, formando uma teia de novos significados, como apontam Ferraz e Stigger: “Por meio da aproximação propiciada por Clarice, ganha lugar uma compreensão renovada e mais complexa daquele momento da arte brasileira. Por outro lado, a partir dessa constelação entre os trabalhos plásticos e a escrita, também a literatura de Clarice aparece sob nova óptica.”

Onírico, trabalho de Djanira, de 1950, presente na mostra. (Foto: Vincente de Mello).

Nos dois andares da mostra, há ainda núcleos documentais, com itens que pertenceram à escritora, como cartas, diplomas, discos, máquinas de escrever e fotografias dos álbuns de família. Neste conjunto, destacam-se os quadros de sua coleção, entre os quais seu famoso retrato assinado pelo artista Giorgio de Chirico. Entre as fotografias, está um registro de Clarice tirado pelo romancista Erico Verissimo, na década de 1950, em Washington.

O material inclui também as primeiras edições dos livros da autora, periódicos, além da entrevista que a escritora concedeu à TV Cultura, meses antes de sua morte, em 1977. A maioria dos itens exibidos provém dos arquivos do IMS e da Fundação Casa de Rui Barbosa, instituições que detêm o acervo da escritora, e da coleção pessoal de seu filho, Paulo Gurgel Valente.

Foto de Clarice feita por Erico Veríssimo em 1950, em Virgínia, nos EUA. (Divulgação).

Por ocasião da mostra, será lançado um catálogo, com textos críticos de especialistas na obra de Clarice, como Alexandre Nodari, Carlos Mendes de Sousa, Evando Nascimento, João Camillo Penna, José Miguel Wisnik, Nádia Battella Gotlib, Paulo Gurgel Valente, Yudith Rosenbaum e Vilma Arêas. A publicação estará à venda na Livraria IMS por Travessa, localizada no centro cultural, e na loja online.

Em cartaz até fevereiro de 2022, a exposição contará com uma ampla programação, que será divulgada posteriormente nos canais do IMS. Conteúdos sobre a autora também podem ser acessados no site https://claricelispector.ims.com.br/, portal bilíngue dedicado à escritora, lançado pelo IMS no ano passado.

Em 2022, a mostra seguirá para a sede do Rio de Janeiro.

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