Foto: Azevedo Lobo/Divulgação

Foto: Azevedo Lobo/Divulgação

A estreia a jato do

Por Renata Arruda

Com integrantes vindos de Aracaju, Brasília e Salvador – e reunidos em São Paulo – o Sarina fez sua estreia a jato: o primeiro ensaio foi realizado em maio deste ano e em setembro o disco já estava sendo lançado! Com influências que vão de Dr Dog a John Frusciante, o quarteto composto por Victor Hugo, Ícaro Reis, Tainan Britto e Thiago Pádua se reuniu no home studio de Ícaro para a gravação do disco homônimo, que foi composto em dez dias e em dois meses já estava “finalizado, gravado, mixado, masterizado e encaixotado”. Tendo o o indie/alternativo como som predominante, o álbum foi todo produzido pela própria banda, que deixou a master por conta de Fernando Takara, que já trabalhou com nomes como Criolo e Mallu Magalhães.

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Sarina está no Nordeste, onde faz turnê ao lado do Maglore. O primeiro acontece nesta sexta em Fortaleza e a banda passa pelo Recife no dia 18. Confira as datas:

12.12 Fortaleza – Órbita
13.12 Natal – Atelier Bar e Petiscaria
18.12 Recife – Estelita
19.12 Aracaju – República
20.12 Feira de Santana – Antiquarius
21.12 Salvador – Commons

Enquanto se prepara para os shows, Sarina tirou um tempinho para falar com O Grito! e fazer um faixa a faixa exclusivo do seu primeiro álbum. Vem ver!

Poderia comentar um pouco sobre a concepção do álbum?
O processo de composição de cada um era bem diferente e isso parecia ser o maior desafio. Mas quando sentamos juntos, descobrimos os pontos fortes individuais e usamos isso ao nosso favor. Recebemos ainda a ajuda do João Paulo, que é um compositor amigo nosso, que enriqueceu e facilitou bastante o processo. Compomos cerca de 18 músicas em uma semana e meia.

Como foi o processo de escolha do repertório?
Chegamos à conclusão de que 13 era um bom número de faixas para um álbum de estreia.
Precisávamos considerar que uma banda com 3 vozes e 5 compositores, naturalmente produziria um disco heterogêneo, então buscamos um repertório que expusesse a nossa linguagem de uma forma mais homogênea.

O que este álbum representa para vocês?
É um álbum que representa de forma bem espontânea o que éramos até o dia da master.
Não tivemos pudores, nem nos predemos a rótulos.
Queríamos gravar um álbum juntos e ele representa exatamente isso : O nosso primeiro passo.

album

Site oficial: www.sarina.com.br

Sarina, faixa a faixa:

A Grosso Modo
É a música que abre o disco. É sobre passividade, sobre dizer “não” quando necessário e as consequências disso. A melodia é bem tensa e tentamos externar todo o desespero que essas situações causam.

Seu
Foi a ultima musica a ser escrita e acredito que seja a mais romântica. A música foi feita pelo Ícaro e o Victor e tem uma pegada mais Britrock. Um amigo da banda estava apresentando muita coisa desse estilo e talvez por isso ela acabou soando um pouco assim.

Nega
Foi feita enquanto limpávamos a varanda na casa do Thiago. (risos) Conta a confusão que uma mulher faz na cabeça dos homens.

Bela
“Bela” figura entre as poucas baladas do álbum e fala sobre “não perder a doçura” diante dos obstáculos da vida. A musa inspiradora é tão doce quanto a obra. (Risos)

O Ouro
É uma metáfora sobre o vício da busca e uma ironia sobre o desespero por resultados rápidos. O personagem anda em círculos e encontra vestígios que ele mesmo deixou durante o caminho. Podemos dizer que ela é quase autobiográfica, já que o Thiago é um cara bem viciado na busca.

Haverá
A musica do nosso primeiro clipe. É uma musica esperançosa e sonhadora. Transmite o positivismo que devemos ter na vida, que por pior que as coisas possam parecer, sempre a esperança de melhora deve ser mantida.

Um Pouco de Sol
É literalmente uma canção bem solar e a letra fala sobre o amor pelo trabalho. Curioso é que naquela semana estava chovendo bastante, mas especificamente no dia em que estávamos compondo o sol resolveu aparecer.

Infinito
Infinito é uma crítica a falta de escrúpulos e expõe as dificuldades para se manter íntegro durante a busca de um objetivo. Tentamos colocar um pouco mais de balanço nela, a fim de sair um pouco do convencional e apostamos na linha de bateria para isso.

Remendado
Passa um pouco da saudade que começamos a sentir da família, no frio de São Paulo. Ela tem o ritmo mais latino, brasileiro, que lembra mais meus pais [Ícaro]. O começo da letra foi a sensação que senti quando me bateu o vento frio: “O cheiro invade sem pedir licença /
lembrando tardes de outrora / que já não posso mais”. Um cheiro subiu e me lembrou a casa de meus pais, onde já nao poderia mais estar.

A Três
Ela se chama “A três” por ter sido escrita de fato a três, mas não só isso. Começou como uma brincadeira e acabou entrando no disco por trazer uma coisa de não nos levarmos tão a sério, propondo uma quebra de padrões no que diz respeito ao formato das relações convencionais.

Fabulosa/Miaberto
Essa duas foram feitas no quarto de hotel, acho que na mesma noite. Fabulosa desde o começo a ideia era ser balada, acústica, com a letra bem intima e que nos expõe. Já “Miaberto” foi feita em afinação diferente. Acredito que essa seja a letra e música mais “pop” do disco. As duas foram feitas em cima de poesias do nosso amigo João Paulo Sousa.

Dose de Paz
Uma conversa de boteco com quem já não está entre nós. Dose de paz é o desabafo de quem seguiu a vida depois de perder um ente muito querido. “O Ícaro chegou com um esboço do instrumental e eu travei na hora. Hesitei por nunca ter escrito nada sobre a morte do meu primo.” – Comentou o Thiago.

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