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>big>Passeio pelo metal na estreia do

Por Renata Arruda

A banda paulistana Huey surgiu em 2010 com o EP ¡Qué no me chingues wey!. Formada por Dane El, Minoru, Vina (guitarras), Rato (bateria) e Vellozo (baixo), em abril deste ano lançaram seu primeiro álbum cheio, , álbum com sete faixas inéditas que passeiam pelo metal clássico dos anos setenta e o stoner rock, gravadas todas ao vivo em Los Angeles com o produtor Aaron Harris.

Segundo o contam, o nome do disco é uma homenagem ao cachorro do produtor: “faz muito sentido com nosso momento, de ACE como “primeiro”, como “acerto” e como um começo. Todo o cuidado que tivemos desde a preparação até a finalização, passando não só pelo aspecto musical e sim pela concepção da capa e fazendo o lançamento em vinil, tudo isso representa o que a gente queria acertar”. Para os shows, o Huey aposta em uma identidade visual própria para cada apresentação, criada em conjunto com diferentes artistas.

O quinteto conversou com o O Grito! sobre o disco e comentou cada uma das músicas, sendo a primeira banda instrumental a participar da série. Confira:

Poderiam comentar um pouco sobre a concepção de Ace?

Pela primeira vez fomos gravar um disco fora do Brasil e isso representou um preparo mais intenso, em termos de ensaio, escolha de repertório e execução das músicas. Iríamos para um lugar desconhecido, trabalhar com um profissional que admiramos muito (Aaron Harris – ISIS, Palms), mas acabamos nos sentindo totalmente em casa quando entrávamos no estúdio, o próprio Aaron foi o responsável por deixar o clima leve e fazer com que a diversão fizesse parte de todos os dias por lá.

Como sempre optamos por gravar ao vivo, temos uma cumplicidade em cada take, o que faz tudo ficar mais coeso e perto do que realmente somos. De concepção, queríamos que o disco representasse nossa visão de música sem se prender a qualquer estilo, não nos preocupamos muito em atingir um só público.

Como foi o processo de escolha do repertório?

Escolhemos o repertório meses antes de irmos para Los Angeles e ficamos ensaiando as músicas que iríamos gravar, houve até um breque nas novas composições para podermos focar nos arranjos e concepção de cada música do disco. No final, está tudo lá, não sentimos falta de nada.

O que Ace representa para vocês?

Ele representa um início, por ser nosso primeiro disco full, por acreditarmos que representa muito o que somos e fazemos. O nome ACE foi dado em homenagem ao cachorro do Aaron que ficava com a gente durante as gravações e faz muito sentido com nosso momento, de ACE como “primeiro”, como “acerto” e como um começo. Todo o cuidado que tivemos desde a preparação até a finalização, passando não só pelo aspecto musical e sim pela concepção da capa (feita pelo ilustrador Danilo Kato) e fazendo o lançamento em vinil, tudo isso representa o que a gente queria acertar e, felizmente estamos muito felizes e realizados com o resultado.

capa

Site oficial: hueyband.com

Ace, faixa a faixa:

Não gostamos de caracterizar muito cada música, o fato de ser instrumental é até um conceito ainda mais aberto para cada um sentir o que quiser em relação ao som, portanto, só vamos colocar algumas sensações e não uma descrição muito detalhada, isso fica por conta de quem ouvir.

1. Sex & Elephants

Peso e sexo. Assim ela foi pensada e é assim que ela soa. Ela é toda baseada em andamentos que se completam, como duas pessoas que fazem amor no mesmo ritmo. Sabe quando existe um encaixa? É isso. E se você reparar vai ver que ela começa com uma melodia que é quase um convite e aí vai ganhando corpo. Alguns riffs tem mais “groove”, aceleram, sobem de tom, voltam para o groove. É só comparar. Tem a calmaria das preliminares, vem o groove, sobe o tom, acelera, relaxa e assim ela vai. Feita do que é bom viver.

2. Baby Monstro

Essa é mais densa e intricada. Uma música totalmente direta e com peso nos riffs. É como se a gente quisesse te alertar a nunca matar o monstro da vontade dentro de nós. Deixa ele sair, deixem a vontade acontecer porque ela é parte do monstro que há dentro de cada um. Baby Monstro é uma música que te pega pela mão e oferece um lugar legal pra você ir. Vai de você aceitar.

3. Por Detrás De Los Ojos

É uma música sobre ternura. Engraçado que a concepção dela é leve, mas o resultado final é pesado. O nome vem de como é importante enxergar o que existe por trás dos olhos de cada um de nós. Não estamos falando de alma, mas do meio do caminho. É como se houvesse um mundo paralelo entre a sua alma e o seu corpo. Como entre o céu e a terra, por exemplo. Entre eles existe o mar. Acho que só se conhece alguém de verdade depois que você acessa esse mundo, mesmo que você não seja convidado. Lá existe resposta para questionamentos e explicação para tantos atos que podem parecer viver em um limbo, mas que na real são lições das quais não tomamos conhecimento pela falta de habilidade em acessar esse mundo. Essa é a eterna busca. Acessar esse universo que existe entre a alma e o físico. O mundo que existe por trás dos olhos de cada um de nós.

4. Pedregulho

É um nome forte e de uma juventude impiedosa. Acho que é uma música fácil de entender. Ela é direta. Traduz o sentimento de muitas vezes precisamos quebrar as janelas com uma pedra em vez de pedir pra entrar.

5. Valsa De Dois Toques

Vem pra dança. Esse é o convite. Instrumentalmente falando ela é bem pesada e tem um leque grande de referências e andamentos. Acho que isso torna essa uma música muito rica. Já tínhamos o nome Valsa. Uma bela noite, durante um ensaio, começamos a pirar nesse lance dos “dois toques” porque ele provoca diferentes interpretações. Mas o mais legal é tomar algumas cervejas e ficar repetindo “é dois toques…. é dois toques” na convenção que tem no meio da música. É isso, porque dançar faz bem.

6. Nice Weather For The Carnival

Essa é uma música hipnótica e com um pé lá nos anos 70 com um andamento cadenciado e envolvente. O nome deixa no ar o questionamento de que o Brasil vai muito além de um Carnaval. É pra se pensar…

7. Samuel Burns

É um anúncio do fim. É uma música bem enigmática. Ela é levada pela linha de baixo e por ser a última e ter esse clima de anúncio do que seria o final, soa um pouco triste. Ela é extremamente rica em detalhes e é o que ela pedia quando foi composta. Sabe quando você assiste um filme que é tão foda que passa rápido demais? Sobe o letreiro e já te dá aquela nostalgia de algo que acabou de acontecer, mas que de tão completo já deixou saudades. É mais ou menos isso com a Samuel Burns. O interessante é que esse nome vem de um pseudônimo que o Cliff Burton usava em hotéis. Posso estar errado, mas se não me engano ele usou esse nome apenas uma vez em uma das últimas turnês antes de morrer. Tem a leveza da cadência, a tristeza do fim, mas tem também a homenagem que fica e o gostinho de quero mais que a gente promete saciar em breve.


 

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