Foto: Divulgação/ Pedro Ivo Euzébio

Foto: Pedro Ivo Euzébio/Divulgação

Calma e vazio de

Por Renata Arruda

Com treze anos de estrada e sete discos lançados, foi a partir de 2011 com o ótimo Samba 808, lançado de forma independente, que Wado começou a perceber uma ascensão na carreira. Recheado de duetos e parcerias, com nomes como , , Mallu Magalhães, , Curumin, Fernando Anitelli e outros, o álbum figurou em diversas listas de Melhores do Ano e ainda teve a faixa “Com a Ponta dos Dedos” eleita como a melhor do Brasil pela MTV no Prêmio VMB 2012. Em seguida, Wado inicialmente pretendia gravar um disco em voz e violão com o produtor Kassin; a ideia depois se tornou um disco de tango na Argentina (que não vingou por incompatibilidade de agendas), e, na mesma época, Wado foi apresentado a que sugeriu como produtor e da parceria surgiu , lançado no ano passado através do selo Oi Música.

“São as minhas canções, com a roupa do Camelo, um traje que veste muito bem essas músicas, por sinal”, disse Wado ao Scream & Yell à época do lançamento, “vejo uma colisão desses universos, que acabam conversando entre si. Para mim isso é muito importante, é um orgulho ter o melhor compositor da minha geração por perto”. Com o reforço de Camelo, Cícero e Momo, o álbum trouxe renovação para o público de Wado e caiu nas graças da crítica, sendo também eleito como um dos melhores do ano por diversas publicações.

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Este ano, além de participar da coletânea O Clube com regravações das músicas “Rosa”, “Cidade Grande” (Vazio Tropical, 2013) e “Com a ponta dos dedos” (Samba 808, 2011) ao lado de Momo, Cícero, Diego Armés e vários músicos portugueses, Wado resolveu lançar a sua própria compilação, intitulada O Ano da Serpente. Trata-se de um apanhado que revisita seus trabalhos anteriores desde Manifesto da arte periférica (2001) até Samba 808  e traz como inédita uma regravação de “Záz”, faixa composta e gravada em parceria com Zeca Baleiro, também produtor do álbum e responsável pelo selo Saravá Discos, que edita o CD. O álbum pode ser ouvido no iTunes e comprado através do e-mail contato@saravadiscos.com.

Falando brevemente a O Grito!, Wado comentou sobre Vazio Tropical e o interesse do público português pela música brasileira que se faz hoje e ainda enviou um exclusivo faixa a faixa do álbum:

Poderia comentar um pouco sobre a concepção de Vazio Tropical
 
Vazio foi feito com calma e esmero, e com a persistência do Marcelo [Camelo] de chegar na maturidade que o disco tem.  Foram muitos meses de trabalho. O repertório tinha o dobro de canções para que pudéssemos jogar muita coisa fora.
 
Em 2011 você chegou a declarar para o Gazeta de Alagoas que estava um tanto desiludido com a música e pensava em prestar concurso público. Hoje a sua carreira parece estar em ascensão. Pode-se dizer que Vazio Tropical ajudou nesse processo?
 
Acho que o Samba 808 teve uma carreira até melhor que o Vazio, teve “Melhor Música do Ano” e ficou melhor posicionado. A ascendência não sinto de agora.
 
Este ano você participou da coletânea O Clube, ao lado de Cícero, Momo e vários músicos portugueses. Como você vê esse crescente interesse pela atual música brasileira em Portugal? 

Sobre Portugal acho sensacional esse diálogo,  nada mais justo entre países lusófonos. 

wado-vazio-tropical

Site oficial: http://wado.com.br/

Cidade Grande compus para o Rio de Janeiro por volta de 2004, quando na época lá morava, há dez anos atrás, pescamos ela pro disco que Camelo tão lindamente produziu, lembro que haviam os versos “Cozinhar os grãos arroz, feijão” que por alguma razão não permaneceram ao passar dos anos, gosto dessas imagens cotidianas.
 
Rosa é uma música de encomenda, o carro C3 de 2007 que tenho até hoje comprei com o dinheiro dessa encomenda que recebi de Kassin e fiz com Cícero uns dois anos atrás, fala de uma professora falecida. Gosto da sua melodia, algo entre Miltom e Smashing Pumpkins em roupinha surf music.
 
Carne fiz e nem sabia de que assunto tratava, de tão do subconsciente que era, Gonzalo Dennis, que é vegetariano e parceiro nela acho que acabou dando um viés vegano a canção. Adoro o disco dele Hay um Corpo Tirado en la Calle e balanço do Camelo parece ter duas corcovas de tão gostoso :)
 
Flores do Bem, obra prima do meu amigo Momo.

[Momo: Essa música está na Estética do Rabisco. Achei o arranjo no disco do Wado primoroso, virou um samba lamento, das expectativas dos pais não atendidas pelo jovem compositor.]
 
Primavera Árabe é minha com Peixoto, adoro as camadas políticas e libertárias contidas ali, Camelo tinha dificuldade com ela pela métrica mas foi generoso de permitir ela ficar no disco, é uma das minhas prediletas.
 
Caís Abandonado, essa é faca na caveira, corta pulso, depressão total, isso pode ser matéria prima pra belas canções mas é sempre bom tomar cuidado nas doses de sal e açúcar pra receita não desandar, no disco ela tá bem dosada na parte do sal.
 
Tão Feliz é minha e do Momo, adoro ela, o groove buscamos naquela escola Dalton, Hyldon, Tim anos 70, funk brasil, bom demais. Camelo canta ela com uma voz que me coloca no chinelo de tão massa.
 
Zelo foi quase que dada pelo Cícero, menino danado de bom. Não fiz quase nada ou nada.
 
Vazio Tropical, tema singelo incidental, Dinho tava testando/tirando a melodia e tem até mudança de timbre no meio de tão espontâneo. 
 
Canto dos insetos. Essa eu fiz roubando partes de letras do The National, mas que, como falo inglês porcamente, tem quase nada a ver, o engraçado que quando musiquei ficou igual a Pavão Macaco, daí tive de dar pro Momo refazer e na prorrogação Cícero chegou com as belas frases do fim.

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