O festival No Ar anunciou a data da sua próxima edição: 11 a 23 de janeiro de 2021. Será uma edição online, porém com elementos inovadores que unem a experiência do show ao vivo com elementos de imersão 3D, artes visuais e vídeos gravados.

O evento ainda anuncia uma convocatória para promover artistas em início de carreira e um conselho voltado para reforçar a igualdade de gênero, inclusão e meio ambiente no festival.

O festival vai criar uma série conceitual gravada entre elementos naturais como a vegetação, as montanhas, o som dos animais, o açude do espaço Criatório, estúdio de gravação/ateliê localizado em Gravatá. “Esse tipo de energia que vamos traduzir com essa série. Transportar as pessoas para uma experiência inesquecível, a qual sempre poderão revisitar. Não é somente mais uma live”, comenta Benke Ferraz (produtor e guitarrista do Boogarins) que assina direção musical da série que tem produção audiovisual da Bateu Castelo e gravação de áudio pela Fábrica Estúdios.

“Em agosto conseguimos juntar cerca de 10 mil pessoas para experimentar um formato inédito, o Coquetel Molotov.EXE, que nos rendeu a indicação para Prêmio Inovação na Web pelo WME Awards e a capacidade de multiplicar ainda mais as nossas possibilidades”, conta , diretora do CQTL MLTV. “E enxergando a velocidade em que esses formatos digitais podem ser rapidamente saturados, resolvemos tentar equalizar as pontas das lanças investindo em desde um mundo virtual 3D até uma série de YouTube de conteúdo altamente experimental e perene. Algo ficará online, disponível até mesmo para as próximas gerações. E tudo isso mantendo as atividades formativas e encontros”.

Outra novidade para o ano que vem é a Convocatória, que irá promover mentorias para carreiras artísticas em início de construção. A ideia é a de impulsionar o cenário independente de Pernambuco, através de um edital próprio, onde os novos artistas terão a oportunidade de se inscrever para participar de capacitações envolvendo produção musical, oportunidades de visibilidade e inserção no mercado da música a nível local e nacional com instrutores do calibre de Ana Morena (Festival DoSol), Benke Ferraz (Boogarins), Marina Amano (Listo Music) e Mazili Benning (PE Squad).

Todas as informações e o formulário de inscrições da convocatória podem ser acessados de 18 a 29 de novembro, através do link.

Aprovado na Chamada Pública de Projetos de Residência Artística do Programa Pontes, uma parceria entre o Oi Futuro e British Council, o festival No Ar Coquetel Molotov vai promover ainda uma imersão que envolve um workshop junto a um processo imersivo de criação coletiva.

Conselho
Ainda sob a perspectiva de inovação de 2020, surge o Conselho CQTL MLTV, com diversos produtores, artistas e curadores do Brasil, formulando possibilidades que reforcem o compromisso do festival com a música, a igualdade de gênero, a acessibilidade, a inclusão e a preservação do meio ambiente. Laura Damasceno, Carol Mattos, Thamires Cordeiro, Jorja Moura, Mariama da Mata e Ana Flor são alguns dos nomes que fazem parte do Conselho junto com a equipe do festival.

O Festival também lançou um Manifesto que ressalta a importância da participação do público na construção do MLTV. “Temos a sorte de ter uma missão bem definida nesses 17 anos de festival que é defender a voz do independente. Essa missão – impulsionada pelas premissas de inclusão, equidade de gênero, sustentabilidade e acessibilidade e tudo que acolhe a partir desse básico- a cada dia é mais urgente. Nós temos em você nesta comunidade que ao longo dos anos nos abraçou e incentivou a fazer algo extraordinário ano a ano e isso é a nossa história, nosso processo constante”, diz um trecho do Manifesto, que segue na íntegra abaixo:

MANIFESTO CQTL MLTV

Isso não é um manifesto.

Com o passar dos últimos meses aprendemos que existem poucas certezas na vida. 

Sabemos que existe uma necessidade natural de nos sentirmos rodeadas – por mentes e corpos, abstrações e relatos, escapes e vivências. Um impulso que nem mesmo uma pandemia global foi capaz de nos tirar.  

Assim como músicos, que há muito dependem exclusivamente de encontros presenciais para levar seu trabalho adiante, produtoras culturais do mundo todo se viram obrigadas a ressignificar seus eventos – tanto para manter contato com seu público, quanto para sobreviverem. Vivemos a era do streaming há alguns anos, seja escutando música pelo celular ou vendo filme no computador. Mas agora, com tudo parado, os festivais independentes viram nas transmissões o único modo de continuar, se pautando por formatos que até então não dominamos – não mais criando experiências únicas para suas cenas. Para nós o desafio estava aí. 

Como transformar o que esperamos do CQTL MLTV em algo a ser consumido diante de uma tela? Por que fazer isso? 

Temos a sorte de ter uma missão bem definida nesses 17 anos de festival que é defender a voz do independente. Essa missão – impulsionada pelas  premissas de inclusão, equidade de gênero, sustentabilidade e acessibilidade e tudo que acolhe a partir desse básico- a cada dia é mais urgente. Nós temos em você  nesta comunidade que ao longo dos anos nos abraçou e incentivou a fazer algo extraordinário ano a ano e isso é a nossa história, nosso processo constante, juntos tornando o CQTL MLTV espaço para várias artistas inovadoras, ousadas e poderosas que conseguem expressar de forma criativa as suas experiências vividas. 

A ÚNICA CERTEZA É QUE QUEREMOS ESTAR JUNTAS.

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