Foto: Divulgação.

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A produtora do filme Praia do Futuro, a Coração de Selva, iniciou uma campanha no Facebook contra a homofobia.

Desde que entrou em cartaz, usuários nas redes sociais vêm comentando que pessoas incomodadas com as cenas de sexo gay no longa estão saindo no meio da exibição do longa. Na trama, o personagem de Wagner Moura, um salva-vidas em uma praia no Ceará vive um romance com o alemão interpretado por Clemen Schick.

“Discriminação, intolerância, preconceito e ódio são coisas que devem ficar no passado. Faça parte da nossa campanha: tire uma foto com a hashtag #HomofobiaNãoÉANossaPraia e mande para nós. Todas as fotos serão publicadas na página oficial de no Facebook.”

O estopim para a campanha aconteceu nessa quarta (21) quando um episódio ganhou forte repercussão: um professor de João Pessoa chamado Iarlley Araújo postou uma imagem de um ingresso para o filme com o carimbo de “avisado”. Ele afirmou que foi questionado por um funcionário da rede Cinépolis se tinha ciência que o longa continha cenas de sexo gay.

Segundo ele, as pessoas eram alertadas sobre o teor do filme. Se mesmo assim aceitassem ver Praia do Futuro, recebiam um carimbo no ingresso com a inscrição. Em comunicado ao UOL, a rede Cinépolis nega que tenha havido preconceito. “O carimbo ‘avisado’ faz parte da política da rede para notificar o usuário da obrigação de apresentação da carteira de estudante para comprovar o direito à meia-entrada em suas sessões”, disse a rede. E continua: “o evento ocorrido pontualmente não reflete, em nenhum momento, a cultura e valores da Cinépolis Brasil e de seus complexos e não tem o objetivo de notificar o espectador sobre o conteúdo e cenas contidas nos filmes. Além disso, todas as medidas para que tal questão não ocorra no futuro foram tomadas”.

Um post no Instagram mostrava um suposto aviso de sobre o conteúdo gay do filme. (Reprodução).

Um post no Instagram mostrava um suposto aviso de sobre o conteúdo gay do filme. (Reprodução).

O diretor Karïm Ainouz emitiu um comunicado à imprensa onde diz estar feliz com a reação anti-homofobia do público. No entanto, ele lembra que o fato dos personagens serem gays não é o mote primordial da história. “Estamos felizes com o apoio e a reação anti-homofobia vinda de todos os lados da sociedade – da imprensa, do público através das redes sociais, das redes de cinema exibidoras etc. – a manifestações pontuais mais conservadoras acerca de cenas de Praia do Futuro. O propósito do filme não é o debate sobre o preconceito e sim contar uma história particular. Praia do Futuro teve grande reconhecimento nacional e internacional, da crítica especializada e do público que compareceu aos cinemas no fim de semana do lançamento”.

“Nosso compromisso democrático é fazer o filme ser ofertado para o máximo de pessoas possível e permitir que o público possa fazer sua escolha livremente. O Ministério da Justiça avaliou o conteúdo e o indicou como apropriado para maiores de 14 anos. Esperamos, a partir desse momento, fazer avançar o debate sobre a homofobia e promover mais tolerância e respeito às diferenças. Homofobia não é a nossa praia. A nossa praia é do futuro”, escreveu.

Escrevemos uma crítica do filme que se apropriava desse mote em torno da saída das pessoas da sala. O crítico Alexandre Figueirôa escreveu. “Por uma razão ou por outra, ao saírem da sala, esses espectadores perderam a chance de mergulhar numa bela história de amor, intensa, arrebatadora e melhor, narrada com sensibilidade e apuro estético por meio de um filme onde cada plano, cada gesto nos coloca diante de um dos maiores desafios do mundo contemporâneo para os seres definidos como sendo do gênero masculino: o que fazer para romper com séculos de uma cultura cujos sentimentos e desejos são colocados em camisas de força e continua punindo quem delas escapam.

Veja o trailer do longa:

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