Gal Costa lançou seu último álbum em 2021 (Foto: Carol Siqueira/Divulgação)

Gal Costa, que surgiu na música como uma voz transgressora ligada à contracultura, nunca deixou de se posicionar, seja em seus antológicos shows seja em entrevistas. Por conta do lançamento de seu último trabalho, Nenhuma Dor, a artista deu uma entrevista no ano passado ao repórter Túlio Vasconcelos aqui na Revista O Grito!, em que falou sobre política e cultura no Brasil. “Bolsonaro ataca e quer banalizar a arte”, disse a cantora.

A cantora morreu nesta quarta (09), aos 77 anos.

Nenhuma Dor trouxe clássicos gravados pela artista ao longo da carreira agora em duetos com artistas das novas gerações. Criolo, Rubel, Rodrigo Amarante, Seu Jorge, Silva, Tim Bernardes, Zé Ibarra e Zeca Veloso; o português António Zambujo e o uruguaio Jorge Drexler são os nomes que participaram do trabalho.

Gal Costa também comentou sobre a importância e desafios em lançar um disco em meio à pandemia (início de 2021). “Está muito difícil para todo mundo, não é fácil o que todos estão passando, então para mim foi um respiro, um alívio poder ir ao estúdio. Deu para aliviar a dor da gente com tudo isso. E também é muito gratificante saber que esse disco pode levar um conforto, um pouco de alegria para quem gosta e se conecta com o meu trabalho”, contou.

A artista falou sobre ser uma voz atuante contra Bolsonaro, que vinha, àquela altura, empreendendo um desmonte na arte e cultura no Brasil, como a extinção do Ministério da Cultura e a demolição de outras políticas culturais. “O governo Bolsonaro ataca e quer banalizar a arte. É de uma ignorância, uma falta de consciência”, disse. “Ele tem sido maléfico para a cultura do Brasil e eu fico chocada com a falta de informação que ele espalha. A arte é a identidade de um povo, dá energia e sustentação para as pessoas seguirem em frente em suas jornadas. Não tem como não ficar indignada com tudo o que ele tem feito com cultura brasileira.”

Tim Bernardes, Gal Costa e Rubel. (Foto: Carol Siqueira/Divulgação)
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