fala das dores e delícias da identidade queer em What Chaos Is Imaginary
NOTA7.5

O duo de Los Angeles Girlpool parecia que iria redefinir os rumos do indie-rock quando surgiram com uma mistura de guitarras melódicas, porém cruas e diretas e vocais femininos cheios de personalidade. Já no seguinte, Powerplant, uma das metades da banda, Cleo Tucker, fez sua transição enquanto homem trans, o que foi refletido nas letras e sonoridade do grupo. What Chaos Is Imaginary reflete muito dessas mudanças, o que coincide com uma maior maturidade e complexidade no som da dupla.

Formado por Tucker e Harmony Tividad, o Girlpool fazem um mix de riot girl com punk e folk. A banda sempre gostou de explorar a intensidade das guitarras com uma estética mais intimista. Uma banda de garagem, mas com uma pegada etérea, dream pop. Neste novo disco, contudo, a banda adentra uma nova fase mais interessante e complexa. A começar com uma dinâmica vocal diferente, o que foi proporcionado pela mudança de voz de Tucker (isso é muito perceptível em “Hire” e “Lucy’s”).

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As letras também mudaram para algo mais maduro, saindo dos dilemas adolescentes dos primeiros trabalhos para questões de identidade e cultura queer, o que já era perceptível no anterior, mas chega com mais força neste novo álbum. What Chaos Is Imaginary ainda é, contudo, um disco que marca uma mudança de rumo na proposta sonora do grupo. Por isso, o trabalho muitas vezes soa perdido, o que é normal em se tratando de uma reviravolta estética. Curioso para saber o que esse novo Girlpool ainda pode oferecer.

GIRLPOOL 
What Chaos Is Imaginary
[ANTI, 2019]

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