Cantora norte-americana busca voz própria em disco que se mostra universal e pessoal

mostra pop autêntico no novo álbum,
NOTA8

A cantora e compositora norte-americana, Halsey, estreou seu terceiro álbum de estúdio, Manic (Capitol, 2020), um dos mais aguardados da música pop este ano.

Depois de bons álbuns anteriores, Halsey traz, em Manic, um amadurecimento de sua personalidade, fugindo do pop convencional e com mistura dosadas de R&B, hip-hop e country.

Os vocais de Halsey são leves, mas fortes ao mesmo tempo. Ela transmite uma verdade particular, mas também cita problemas universais. Ora adentramos num mundo puramente fictício, ora, num mundo real e visceral. Também destaco, em momentos pontuais de várias canções, o uso de autotune, o que confere um ar dançante e interessante às faixas.

Ao todo, são 16 faixas que parecem ser ligadas umas às outras. A que abre o álbum chama-se “Ashley” – verdadeiro nome de Halsey. A música começa devagar e vai ganhando corpo conforme a audição avança.

Dando continuidade, a faixa “Clementine” é uma gostosa baladinha. Vale salientar que o título da música faz referência ao famoso personagem de Kate Winslet em “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”. A música mostra um constante conflito na vida artística. Segue sendo uma das melhores músicas do álbum.

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“Graveyard” tem uma sonoridade mais de electropop e, ao escutar duas vezes, você volta à 2011, no auge de nomes do Britney Spears e Rihanna. Nessa faixa, fala-se a intensidade do amor e até que ponto podem ir. O eu lírico da canção procura cavar ao máximo esse amor. O tema segue em “You should be sad”, um country animado, que lembra um pouco “Home”, da Dolly Parton. A canção de Halsey mostra um eu lírico mais consciente.

A quinta faixa de Manic é “Forever”, mas essa não soa tão nova e atraente, visto que tem um quê de melancolia, causada pelo piano, dos álbuns anteriores. A balada “Finally” é, sem dúvida, uma das mais bonitas e boas de se ouvir. A voz é acentuada e mistura-se na melodia.

De todas as músicas, duas acabam sobrando no álbum: “3am” e “Killing boys”, trazem um beat muito mais pesado, porém são repetitivas e estão aquém do que a artista mostrou no álbum até aqui.

Já em “I Hate Everybody”, a voz crua da cantora faz a simplicidade acontecer e, ao mesmo, ser visceral.

Outras faixas contam com colaboração, são elas: “Alanis'”, com Alanis Morissette; “Dominic’s”, com Dominic Fike; e com SUGA, do BTS.

O álbum é feito para ser apreciado com calma. E vale acompanhar a narrativa das letras: se você não for fluente em inglês, procure um tradutor para acompanhar as reviravoltas que acontecem no álbum e que mostram, muitas vezes, dramas e situações universais. Halsey apresenta um trabalho equilibrado e coeso, com uma proposta madura e bem articulada, que se destaca do atual cenário pop.

HALSEY
Manic
[Capitol, 2020]

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