Na semana passada, a Netflix disponibilizou a segunda temporada de Sex Education, serie estrelada por Asa Butterfield que trata de diversidade e sexualidade. Para promover, a rede disponibilizou sete HQs online baseadas na trama da série.

As obras traziam personagens do seriado e tratavam de temas como diversidade sexual, masturbação, infecções sexualmente transmissíveis, abstinência, amor LGBTI+, entre outros. Os autores convidados são: Felipe Portugal, Raoni Marqs, Thiago Martins e Yuri Moraes (todos do selo Bruttal, do Omelete), Wagner William e Magenta King.

O que mais chamou atenção nessa campanha de divulgação, no entanto, foi algo negativo: todos os artistas são homens cis. Isso ficou ainda mais gritante pelo fato da série tratar justamente da diversidade em todos os espectros (gênero, corpos, etnias, etc). Diversos artistas e telespectadores da série criticaram a ação na internet.

A quadrinista Fefê Torquatto, autora de Tina – Respeito, lembrou do preconceito em não elencar nenhuma artista mulher. “Não há mais desculpas. Tô cansada dessa palhaçada”, postou no Twitter. Ela relata uma reclamação constante do cenário de HQs brasileiro que é pautar mulheres apenas para participar de debates sobre “como é ser mulher nos quadrinhos”, sem uma real preocupação em aumentar a representatividade ou tornar a profissão mais equânime em relação às oportunidades.

Helô D’Ângelo, cartunista e quadrinista, também fez coro nesse tema: “falam, falam, falam de inclusão e dão uma dessas. Olha, que vergonha”, disse. “Certeza que na próxima (a Netflix) vão chamar. Mas vai ser alguma série sobre mulheres. Rs”.

A seleção de HQs é bem interessante, as histórias conseguem traduzir bem o espírito da série e o modo de leitura na vertical funcionou bem. O consumo de quadrinhos digitais ainda não é algo consolidado, por isso acho bem interessante encontrar diferentes propostas de leitura e fruição dessas obras. O que incomoda é que nenhuma HQ traz a assinatura do autor em destaque dentro do site.

A ideia da Netflix em usar HQ como forma de divulgação de seus produtos é bem interessante, mas falta uma maior sensibilidade para lidar com o meio, seja na escolha dos artistas, seja na apresentação do produto.

A HQ online pode ser lida aqui.

A campanha ainda teve Felipe Neto divulgando a HQ, o que faz referência à ação que o YouTuber fez no ano passado em distribuir títulos LGBTI+ após a tentativa de censura do prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella contra uma HQ dos Jovens Vingadores que mostrava um beijo entre dois super-heróis gays.

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