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A HQ , que conta a luta indígena contra os ruralistas no Brasil, chega às livrarias e lojas especializadas esta semana. A obra foi produzida pela Fundação Rosa Luxemburgo e publicada pela Editora Elefante, com apoio da Comissão Guarani Yvyrupa – CGY, organização indígena autônoma que congrega os povos guarani do Sul e Sudeste do Brasil. A arte é de .

Em 60 páginas, a HQ retrata cenas da mais recente onda de manifestações dos Guarani Mbya pela demarcação de suas terras na cidade de São Paulo: o fechamento da Rodovia dos Bandeirantes, a ocupação do Monumento às Bandeiras e a intervenção na cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2014.

A Cartografia dos Ataques Contra Indígenas (Caci) é um mapa de assassinatos de indígenas no Brasil feito a partir dos registros do Conselho Indigenista Missionário Cimi e da Comissão Pastoral da Terra. A visualização deixa evidente os massacres sofridos pelos povos originários e foi elaborada a partir dos relatórios publicados pelas duas organizações entre 1985 e 2015. O projeto foi desenvolvido pela Fundação Rosa Luxemburgo, em parceria com Armazém Memória e InfoAmazonia, e está todo baseado em dados abertos: todas as bases utilizadas poderão ser baixadas na página da plataforma. “Caci” significa dor em Guarani.

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De Olho nos Ruralistas é um observatório do agronegócio no Brasil e de seus impactos sociais e ambientais. Do desmatamento à expulsão de camponeses, da comida com agrotóxicos à violação de direitos dos povos indígenas. Incubado pelo portal Outras Palavras, o projeto mantém um site com atualizações diárias de diversos colaboradores, além de programas em vídeo e reportagens.

Hoje, os Guarani lutam pela conclusão da demarcação de suas terras na zona norte e na zona sul da cidade de São Paulo. A situação é caótica. Mais de dois mil indígenas vivem esmagados em pequenas áreas nas regiões do Jaraguá e de Parelheiros. Depois de muitos anos de paciência, os Guarani — povo tido como calmo e cauteloso — perceberam que precisavam mudar suas estratégias de luta e iniciaram uma série de manifestações que incluíram ocupações e protestos. A história de misturou a sabedoria dos mais velhos, a energia dos jovens e os ensinamentos de Nhanderu Tenonde, sua maior divindade.

Em setembro de 2013, pararam o trânsito da Rodovia dos Bandeirantes, estrada com o nome dos assassinos de índios que cortou ao meio a aldeia do Jaraguá — menor terra indígena do país. Em 2014 os ocuparam por 24 horas o Pateo do Collegio, uma das edificações mais antigas da cidade de São Paulo, erguida em 1554 pelos jesuítas que vieram cristianizar os povos nativos. Em outubro deste ano, os índios realizaram uma manifestação na Avenida Paulista, que se dirigiu ao Monumento às Bandeiras, uma enorme escultura que homenageia as expedições que rasgaram o Brasil matando e escravizando os índios. Com panos vermelhos, pintaram simbolicamente a escultura com a cor do sangue guarani que os bandeirantes derramaram. Parte dessa história de resistência foi contada na HQ.

No lançamento de Xondaro haverá um debate sobre resistência indígena e violência no campo, além de uma apresentação da plataforma Cartografia de Ataques contra Indígenas. Será nessa terça (11), às 19h na rua Conselheiro Ramalho, 945, em São Paulo. A HQ pode ser comprada pela internet por R$ 30.

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