Para celebrar o Dia Internacional do Orgulho LGBTI+ convidamos artistas, editores e demais profissionais ligados aos quadrinhos para indicarem obras com conteúdos ligados à diversidade sexual e de gênero.

Amanda Miranda, quadrinista, designer e ilustradora, autora de Juízo (coleção TABU) e Sangue Seco Tem Cheiro de Ferro (Coleção MIS).

PQ CA, de Lalo
Gostaria que o leitor apenas confiasse na minha recomendação e não lesse a justificativa pra esse aqui, clica aqui e só vai. A justificativa pode estragar a leitura, que é curta e gratuita. Já foi? Já leu? Ok. Daqui pra frente é spoiler. Nesse quadrinho Lalo nos leva numa narrativa tropeçante sobre como sair do armário. Ou sobre como te jogam pra fora do armário. Ou sobre você ser grande demais pra caber nesse armário. Dos melhores quadrinhos sobre se descobrir que já li, o desenho é nervoso, as cores gritam e o ritmo é impecável. Lalo lançou em seguida desse o excelente “Queda”, que consta na minha lista dos melhores quadrinhos de 2018. | Instagram.

Cartas Para Ninguém, de Diana Salu
A Diana é um expoente da mesclagem entre quadrinhos e poesia. Em Cartas Para Ninguém ela finca frases potentes na pele do leitor, acompanhadas de desenhos em lápis que registram paisagens urbanas e naturais. A leitura dessas cartas é um passeio descompromissado com o destino final. É mais sobre o desejo de se mover, se alongar, investigar o próprio percurso, se ver nos próprios passos dados, nas transições encontradas e vividas pelo caminho. E na fraqueza, se conectar. Entre tantas passagens incríveis, destaco essa: “Eu queria ter a idade das pedras. O tempo das pedras. Ser mais antiga que o mundo. Ser formada pela decomposição alheia e formar com a minha as minhas irmãs”. Diana também participou da segunda edição da publicação coletiva Histórias Quentinhas que, entre outros artistas, também conta com Gustavo Nascimento, também citado nas minhas recomendações. | Instagram.

Que Nunca Acaba, de Gustavo Nascimento e Patricia Baik
Essa recomendação é uma aposta, já que a webcomic começou a ser publicada a pouco tempo, e pode ser apoiada via Catarse. Mas uma aposta muito promissora, que complemento com recomendações dos trabalhos anteriores dos artistas. O trabalho dos dois autores se encontra na abordagem da ausência de afeto e pertencimento de pessoas racializadas LGBTQIA+. Gustavo apresenta uma história sobre retornar a sua cidade natal e reencontrar os pedaços que te formaram; Patrícia constrói um romance entre amigas da mesma comunidade, desafiando conceitos de fala e expressão. Os artistas se mesclam na textura de lápis, iniciando a narrativa numa conversa sobre não pertencer e sonhar acompanhado. “Que Nunca Acaba” é disponibilizado semanalmente no Instagram, Twitter e Tapas.

Acompanho o trabalho do Gustavo há um tempo e acho de uma sensibilidade enorme. O autor se dedica a uma auto investigação repleta de honestidade, delineando sua personalidade que tantas vezes se desencontra com as expectativas da sociedade, o estado onírico é recorrente, cunhando uma estética linda entre texturas tradicionais e flats digitais. Brilha também em mixed media. “Mira”, é uma coletânea de suas histórias curtas. Patricia Baik é artista visual, criadora de instalações e pinturas enormes, incríveis, absolutas. Comprei Não Sou Daqui na Bienal de Quadrinhos de 2018 e desde então segui fã tanto do traço quanto da narrativa do não-pertencimento que a autora aborda. O desejo de ir, entre barreiras de comunicação que existem em Onde (por enquanto) são mais um destaque. | Catarse.

Vou deixar também menções honrosas:
Gume de Puiupo, Tomboy e Kit Gay de Vitorelo, Domingo tem Macarrão de Dika Araújo, Namoro à Moda Antiga de Adri A.

Amanda Miranda é quadrinista, designer ilustradora. Em seu trabalho autoral aborda temas como violência, feminilidade, sexualidade, neuro atipia e caos. Juízo (2019, Coletânea TABU, Mino) e Sangue Seco Tem Cheiro de Ferro (2019, Coleção DES.GRÁFICA), selecionado pelo edital do Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Ganhou o prêmio Dente de Ouro de Melhor História em Quadrinhos com Hibernáculo (2018, independente). É a autora da capa da edição #4 da Plaf (O Grito!, 2020). ​Participou das publicações coletivas Cápsula (2019, Selo O Quiabo, BH), Zine XXX (2014, independente, RJ), entre outras. Instagram | Twitter | Site.

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