As duas integrantes do grupo punk russo Pussy Riot foram soltas da prisão. Nadezhda Tolokonnikova e Maria Alyokhina foram libertadas nesta segunda (23) como parte de uma nova lei de anistia aprovada pelo presidente Vladimir Putin.

O marido de Nadezhda deu a notícia pelo Twitter. “Nadya está livre”. Ele atuou como ativista da banda e fez campanha pela soltura do trio desde que sua mulher foi presa, no ano passado. As três integrantes das Pussy Riot foram condenadas a dois anos de prisão pela acusação de vandalismo motivado por ódio religioso depois de fazerem uma performance de oração punk contra a relação corrupta do governo russo e a Igreja Ortodoxa.

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Yekaterina Samutsevich foi a primeira a ser libertada ainda em 2012, poucos meses depois de ser condenada. A justiça foi convencida de que ela foi interceptada pelos guardas da catedral antes mesmo de começar a performance. Já as outras duas continuaram presas até esta segunda.

Ainda era madrugada aqui no Brasil quando Maria foi solta. Ao sair da prisão ela disse que a lei de anistia de Putin é uma arma de comunicação do governo Putin e está longe de ser uma boa ação. “Não creio que esta anistia seja um gesto de humanismo. Se tivesse tido a possibilidade, ele teria rejeitado”, disse a artista em entrevista à TV Dojd, citada pela AFP.

A anistia foi aprovada na Duma, câmara baixa do parlamento russo. Além das Pussy Riot, outros desafetos de Putin foram soltas. Os 26 ativistas estrangeiros do Greenpeace que ainda seguem presos na Rússia depois do protesto em uma plataforma de petróleo em setembro também deverão ser anistiados. A brasileira Ana Paula Maciel faz parte do grupo.

Apesar de soltos da prisão preventiva, todos os membros do grupo enfrentam acusações de vandalismo, o que pode render até sete anos de cadeia segundo as leis russas. Segundo o Greenpeace, a nova lei pode permitir que todos os ativistas retornem para casa.

Melhor para Putin?
A nova lei de anistia russa foi proposta pelo presidente Vladimir Putin como forma de comemorar o aniversário de 20 anos da aprovação da Constituição pós-Soviética. Ela foi aprovada por 446 votos a 0 e se refere a criminosos primários, menores e mulheres com crianças pequenas.

A iniciativa recebeu críticas de defensores dos direitos humanos e juristas, que viram na lei uma forma de amenizar as críticas ao governo Putin. Desde que foram presas, as Pussy Riot inspiraram manifestações no mundo inteiro. As prisões foram encaradas como censura com clara motivações políticas.

A anistia também serve para melhorar a imagem do Kremlin perante à opinião pública internacional, que critica o País pela crescente homofobia e repressão aos opositores do governo. O país vai abrigar as Olimpíadas de Inverno, na cidade de Sochi, no próximo ano.

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