O-Lobo-atrás-da-Porta

O Janela de Cinema trouxe mais um filme em competição que mostra uma espécie de investigação da maldade. Depois do chocante O Ato de Matar, de Joshua Oppenheimer, exibido no sábado, o festival exibiu no domingo O Lobo Atrás da Porta, primeiro longa de Fernando Coimbra, com Leandra Leal e Milhem Cortaz.

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O filme mostra a história de um triângulo amoroso passado nos subúrbios do Rio de Janeiro. No meio disso, há um sequestro de uma criança que só se resolve nos momentos finais – e surpreendentes – do filme. Rosa (Leandra Leal), uma ex-operadora de telemarketing se envolve com o fiscal de ônibus Bernardo (Cortaz), que é casado com Sylvia, uma dona de casa tanto ingênua interpretada por Fabíula Nascimento. No meio desse triângulo há uma série de atos motivados por medo que chocam a plateia pela surpresa: como pessoas comuns, tão próximas a todos nós são capazes de atos como aqueles?

Contar que medidas desesperadas foram tomadas pelos personagens estraga a experiência do filme, que trabalha sempre em um tom de tensão constante. Coimbra usou a tendência de trabalhar o suspense, que sempre foi preterido no cinema nacional. Com ajuda de uma música grave e pesada, O Lobo Atrás da Porta leva a mesma angústia do trio para o espectador. A escolha de um cenário sem nenhum glamour carioca ajudou a compor a narrativa, que é inspirada em notícias policialescas de jornais populares.

Durante debate realizado no Cine São Luiz após a exibição do filme, Coimbra disse que tirou a ideia do filme após ler a notícia desse triângulo amoroso em uma matéria de um jornal dos anos 1960. Ele então pesquisou mais sobre aquela história na Biblioteca Nacional para tentar compreender as motivações para o(s) crime(s). “O tom do texto demonizava a pessoa que serviu de inspiração para Rosa. Quero mostrar que por trás de diversos acontecimentos existe muitas nuances. É fácil dizer que alguém é desumano, mas na verdade trata-se de um ato humano, pois somos todos falhos”, contou.

o lobo atras da porta (3)

Ele também elogiou o trabalho de Leandra Leal, que foi determinante para o conceito do filme. “Ela é uma atriz que fala muito com o olhar, com o movimento. Precisávamos de alguém que fosse bonita e que pudesse interpretar alguém muito contida, que explodisse apenas em um único momento. E ela fez isso muito bem”, disse.

O longa ainda não tem data de estreia prevista no circuito comercial. Antes do Janela, o filme foi exibido no Festival do Rio, onde venceu o troféu Redentor de melhor filme.

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